Grécia: sucessor da Aurora Dourada impedido de ir a eleições

05 de maio 2023 - 19:09

O Supremo Tribunal da Grécia tomou a decisão na sequência de uma lei que impede partidos liderados por políticos condenados por crimes graves e que ponham em causa a democracia de irem a votos. Kasidiaris, o líder deste partido, está preso por assassinato e associação criminosa mas continua a publicar mensagens no Youtube.

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Ilias Kasidiaris em 2016. Foto de DTRocks/Wikimedia Commons.
Ilias Kasidiaris em 2016. Foto de DTRocks/Wikimedia Commons.

Por nove votos contra um e com 400 páginas de considerandos, o Supremo Tribunal da Grécia decidiu banir o Partido Nacional (Helenos) das eleições legislativas que se realizarão a 21 de maio. O partido sucessor dos neonazis da Aurora Dourada não poderá ir a votos uma vez o órgão máximo judicial do país deu provimento às alterações às leis eleitorais votadas em fevereiro deste ano no sentido de impedir a participação eleitoral de partidos liderados por políticos condenados por crimes graves e também por partidos que não sirvam “o funcionamento livre da constituição democrática”.

Esta é uma formulação à medida do partido criado pelo ex-deputado da Aurora Dourada, Ilias Kasidiaris, atualmente a cumprir uma pena de prisão de 13,5 anos pelo caso do assassinato do rapper anti-fascista Pavlos Fyssas e vários outros que vão desde assassinatos, roubos a associação criminosa.

O novo partido do setor mais radical da extrema-direita estava à beira de entrar no Parlamento já que as sondagens lhe davam 4,5%, confortavelmente acima do patamar mínimo de 3% necessário para isso. Ainda tentou impedir a proibição, substituindo Kasidiaris por Anastasios Kanellopoulos, um ex-procurador assistente do Supremo Tribunal. Kasidiaris, que continua a comunicar com os apoiantes através de um canal no Youtube com 134 mil subscritores, considerou a decisão “um golpe inimaginável contra a democracia”. Isto apesar dos regulamentos da prisão de alta segurança em que está supostamente não lhe permitirem fazê-lo e da sua estratégia de comunicação ser mais do que conhecida.

A decisão foi tomada na terça-feira e esta quinta-feira foram conhecidos mais pormenores da sentença. O tribunal considerou claro que se tratava do “sucessor e continuação da organização criminosa Aurora Dourada”, que Kasidiaris era o seu “líder real” e que a tentativa da organização era fazê-lo “reaparecer na cena política”. Justificou-se a sentença ainda pela defesa da violência, de “ideias intolerantes e racistas” e do objetivo de acabar com a democracia e o Estado de direito.

Das próximas eleições gregas não se espera que saia nenhuma maioria clara. Os conservadores da Nova Democracia continuam em vantagem mas perderam terreno por causa da gestão do acidente mortal de comboio de fevereiro. O Syriza, o maior partido da oposição, não tem capitalizado essas intenções de voto que parecem estar dispersas por outras forças.