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"Governos dos EUA, Inglaterra e Canadá mentem o tempo todo"

A afirmação é do jornalista britânico Glenn Greenwald, correspondente do jornal The Guardian, na comissão de espionagem do Senado brasileiro, no passado dia 9 de Setembro. Greenwald reafirmou que os governos dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra têm recolhido informações de países em desenvolvimento movidos por interesses económicos. Artigo publicado no portal Carta Maior
“Estou a ser ameaçado por pessoas do meu governo. Mas continuo a dizer que continuarei a fazer jornalismo até que o último documento seja publicado", deixou claro Glenn Greenwald.

"Sem dúvida não estão preocupados com segurança nacional ou terrorismo, como sempre alegam, mas em obter vantagens comerciais para as suas empresas".

Para Glenn Greenwald, os governos desses três países têm feito o que sempre acusam a China de fazer. “A China espia os seus parceiros comerciais, mas esses governos têm usado o discurso da segurança para justificar o seu aparato de espionagem". O jornalista disse que apenas analisou cerca de 2% do material obtido pelo ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA), Edward Snowden, exilado na Rússia desde do dia 1 de agosto.

Em vários momentos, Greenwald afirmou que se o Brasil, assim como qualquer outro país, quiser obter mais informações sobre os arquivos que estão em poder de Snowden, terá que lhe oferecer proteção. Segundo ele, ninguém entende tanto sobre o aparato de espionagem montado pela NSA quanto o seu ex-colaborador.

Questionado pelo senador Ricardo Ferraço, relator da CPI, sobre a possibilidade de repassar os arquivos que estão sem seu poder ao governo brasileiro, o jornalista britânico afirmou que não pode fazer isso sob pena de ser processado por traição pelo governo norte-americano, e não poder mais voltar ao seu país. Além disso, lembrou, os documentos contêm informações sobre outros países.

Greenwald também afirmou que a NSA tem invadido sistemas de transmissão via cabo, mas que não sabe quais seriam esses sistemas. Questionado sobre a possibilidade de colaboração de empresas brasileiras com a espionagem, o jornalista afirmou que o sistema usado pela NSA é o mesmo usado pela AT&T, que mantém contratos com empresas de telecomunicações de vários países, inclusive brasileiras. O que não dá para afirmar, ponderou, é se essas empresas estão colaborando, mas há a possibilidade de que o estejam fazendo mesmo sem saber.

Ameaças

Greenwald disse que tem feito jornalismo com muito risco e que por isso tem sido atacado no seu país. “Estou a ser ameaçado por pessoas do meu governo. Mas continuo a dizer que continuarei a fazer jornalismo até que o último documento seja publicado. Não estou a segurar documentos relevantes. Não estou a esconder informações".

Ainda segundo o convidado da CPI, o jornal The Guardian sofreu invasões de agentes do governo britânico, que partiram computadores e ameaçaram processar jornalistas e quem mais estiver envolvido com as reportagens que denunciam o esquema global de espionagem. Além do Brasil, outros países da América Latina também estariam a ser espiados, como a Venezuela.

Além de Greenwald,  o seu companheiro, o brasileiro Davi Miranda, com quem vive há cerca de oito anos, também foi ouvido pela CPI. Ele contou sobre o episódio em que ficou detido por quase nove horas no aeroporto de Londres logo depois de pôr os pés em solo britânico. “Isso aconteceu simplesmente por que sou brasileiro. Eles me ameaçaram o tempo todo de prisão caso não colaborasse. Me perguntaram como está a política no meu país e se eu tinha envolvimento com os protestos que vêm acontecendo no país desde junho”.  Para Greenwald, ficou claro que a detenção de Miranda é parte da estratégia do governo britânico de ameaçá-lo em represália às informações que ele tem divulgado.

Edward Snowden

Logo após os depoimentos de Greenwald e Miranda, a CPI aprovou requerimentos para envio de correspondência ao advogado de Snowden e ao governo russo solicitando de ambos autorização para uma videoconferência com o ex-colaborador da NSA. À Carta Maior, a senadora Vanessa Grazziotin, presidenta da CPI, disse que o diálogo com Edward Snowden é importante para entender o mecanismo de espionagem liderado pelos Estados Unidos, mas não é essencial para o trabalho da CPI.  

De acordo com a senadora, é mais importante para a comissão compreender até que ponto o sistema de comunicações do Brasil está vulnerável e, a partir disso, propor ao governo medidas que possam proteger tanto a comunicação dos cidadãos quanto a de Estado. Ainda segundo a senadora, representantes de empresas como Google Brasil, Facebook Brasil, Microsoft, Telefônica, Oi, GVT e TIM deverão ser convocados para depor novamente.  

Artigo publicado no portal Carta Maior

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