David Miranda, companheiro do jornalista do The Guardian Gleen Greenwald, um dos principais responsáveis por expor as denúncias de Snowdem sobre os programas de espionagem norte-americanos, ficou nove horas detido no aeroporto de Heatrow, em Londres.
Com base na lei antiterrorismo, as autoridades britânicas intercetaram o cidadão brasileiro durante uma escala antes de embarcar para o Rio de Janeiro.
O ministério das Relações Exteriores brasileiro já reagiu e classificou a medida como “injustificável”.
Para a Amnistia Internacional, o episódio foi “ilegal e indesculpável”. A organização diz que David Miranda foi "uma vítima de táticas de retaliação".
Segundo o diário britânico The Guardian, Miranda teve todos os seus equipamentos eletrónicos confiscados, entre eles o telemóvel, a câmara fotográfica, as pens USB, DVD e consolas de jogos.
“Este é um profundo ataque à liberdade de imprensa e ao processo de recolha de notícias", afirmou Greenwald ao Guardian. "Deter o meu companheiro por nove horas, negando-lhe o acesso a um advogado, apreender boa parte das suas coisas, pretende claramente mandar uma mensagem de intimidação para aqueles que, como nós, estão a fazer reportagens sobre a espionagem da NSA e da GCHQ. "As ações do Reino Unido representam uma grande ameaça para os jornalistas em qualquer parte do mundo”.
Ainda segundo o jornalista norte-americano, que está radicado há oito anos no Brasil, o episódio não o irá intimidar. "É a última coisa que nos irá intimidar ou deter por fazermos o nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: só nos vai encorajar a continuar a denunciar de forma agressiva", afirmou.