Os números divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística revelam uma queda de 1,8% do PIB nos últimos três meses de 2012 face ao trimestre anterior. Assim, Portugal fechou o ano com uma recessão de 3,2%, superior às previsões do governo e da troika. As novas contas irão implicar uma revisão do défice de 2012, que terá de ser calculado em função do novo valor do Produto Interno Bruto. Mas irão também influenciar as contas do Governo para este ano, já que o Orçamento para 2013 partiu de pressupostos errados quanto ao desempenho económico no ano passado.
Portugal e Grécia no fundo da lista
Só a Grécia teve uma recessão pior que a portuguesa, dizem os números do Eurostat, revelados também esta quinta-feira. Os gregos, também sujeitos a memorandos da troika que têm devastado a economia e a sociedade, sofreram uma queda do Produto de 6% face ao último trimestre de 2011. A Grécia vinha já de uma contração homóloga de 6,7% no terceiro trimestre, de 6,4% no segundo trimestre e novamente de 6,7% no primeiro trimestre do ano.
Dos 19 países da União Europeia que apresentaram as contas ao Eurostat, 13 apresentam sinais negativos na evolução do PIB no último trimestre do ano, face ao mesmo período do ano anterior. Logo a seguir a Portugal (-3,8%) e Grécia (-6%) surge o Chipre (-3%), a Hungria (-2,8%) e a Itália (-2,7%).
No conjunto da zona euro, o PIB caiu 0,5% em 2012 e se fizermos as contas às 27 economias da UE, a queda cifra-se em 0,3%. A Alemanha também não escapou à recessão no último trimestre, com o pior desempenho da economia desde 2009, no auge da crise financeira. Os alemães fecham o ano em recessão, mas no total de 2012 viram a economia crescer apenas 0,7%. Ainda assim é um desempenho melhor que o da França, que fecha o ano com o PIB a cair 0,3% e com um saldo nulo no conjunto de 2012.
Bloco acusa Governo de "matar o país" com "espiral recessiva"
A coordenadora bloquista Catarina Martins reagiu aos números do INE, dizendo que o que eles mostram "não é um ligeiríssimo desvio. É abrupto. No último trimestre foi um crescendo exponencial do desemprego e o PIB retraiu-se imenso. A curva está a acelerar. A situação está a degradar-se muito rapidamente. Isto é a espiral recessiva. Este Governo tem de ser parado porque se não está a matar o país".
"Ou se para com o rumo da austeridade ou é o Governo que para o país. É a austeridade que cria a recessão. É o fanatismo do Governo para com a austeridade que está a matar o emprego e a Economia. É hora de pôr um ponto final. Este avanço galopante do desemprego e do PIB mostra o completo descontrolo da Economia. O Governo não tem nenhuma solução ou rumo para o país e tem de ser parado", afirmou a deputada bloquista.