“Governo tem de se deixar de anúncios e passar à prática”

09 de fevereiro 2021 - 17:35

Após a reunião do Infarmed, Moisés Ferreira afirmou que se o executivo “não quer ser responsável pelo agravamento das desigualdades” deverá avançar com os apoios. O deputado defende que “precisamos de testar mais” e “levantar as patentes” para vacinar mais.

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Moisés Ferreira.
Moisés Ferreira. Foto de Ana Mendes.

A reunião do Infarmed que faz o ponto da situação da pandemia fez-se à distância esta terça-feira. Pela parte do Bloco, Moisés Ferreira marcou presença e comentou as medidas do governo.

Num momento em que se anuncia a necessidade de prolongar as medidas de confinamento durante mais algumas semanas, dependendo não só da evolução da incidência mas também da evolução da pressão sobre o SNS, dos internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos, o deputado concorda que “o confinamento é um dos caminhos que é necessário manter durante algum tempo para podermos baixar a pressão e quebrar cadeias de transmissão”. Mas reforça o que o Bloco de Esquerda tem dito desde o início da pandemia e tem reforçado na terceira vaga: "o confinamento tem de vir com medidas de apoio".

O reforço dos apoios é urgente “porque a pandemia está a criar desigualdades no país” e “não está a afetar toda a gente da mesma forma”. Ou seja, “afeta as pessoas mais pobres, mais vulneráveis, mais desprotegidas de forma mais dura”, criando também desemprego e mais pobreza.

Para Moisés Ferreira, “não ter medidas concretas, a sério, que sejam reais e não apenas anúncios por parte do governo agrava a desigualdade”. E exemplificou: “não precisamos de uma tarifa social da internet que só apareça no verão, precisamos agora”, tal como a tarifa social para o gás de botija, "um anúncio que depois não se concretizou". O deputado bloquista reclamou medidas para subvencionar "esse gasto com energia, com eletricidade, que as famílias estão a ter em casa”, mas também para que “os pais e as mães possam ficar com os filhos em casa sem perder rendimento”. Ou medidas para quem trabalha a recibos verdes e para os trabalhadores informais que "ficaram sem um cêntimo por mês durante a pandemia e continuam sem receber nada de apoios. Em resumo, "precisamos de medidas que estejam mesmo a fazer efeito na vida das pessoas", concluiu.

“O governo tem de perceber de uma vez por todas que se não quer ser responsável pelo agravamento das desigualdades, da pobreza, do desemprego, tem de se deixar de anúncios e passar à prática”, uma vez que “já vamos com quase um ano de pandemia e há medidas que nunca saíram do papel”, critica.

"Precisamos de testar mais, testar com base estatística”

Para além dos apoios sociais, o Bloco sublinhou mais duas questões: a necessidade de mais testagem e de mais vacinação. No que diz respeito à primeira questão, Moisés Ferreira apela a uma mudança de estratégia de testagem: “até agora tem-se testado consoante a identificação de um caso suspeito mas precisamos de mudar isto, precisamos de testar mais, testar com base estatística”. Para isso, há que “colocar no terreno mais capacidade mas também agilizar o papel do Infarmed na avaliação de novos testes de novas tecnologias”.

É preciso também acelerar a vacinação. Até porque “quanto mais rápido vacinarmos, mais rápido aliviamos a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde e mais rápido podemos fazer desconfinamento sem riscos maiores”. O deputado responsável pela área da saúde no Bloco alertou ainda para as falhas na vacinação. “No plano inicial estava previsto que até ao final do primeiro trimestre de 2021 seriam entregues a Portugal quatro milhões de vacinas”. Até agora foram apenas entregues 500 mil, “oito vezes menos”.

Isto quando “várias farmacêuticas, que foram financiadas por dinheiro público para a investigação” e se comprometeram com entregas não cumpriram. O governo deveria tomar “uma posição clara sobre este assunto”. Tendo sido as vacinas financiadas por dinheiro público, tanto na sua investigação como na produção, "as patentes devem ser públicas e, portanto, devem ser levantadas para que possa haver produção destas vacinas nos vários laboratórios a nível mundial”, defendeu o deputado.

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