Governo tem de responder pela venda ruinosa do Novo Banco

06 de março 2019 - 19:35

Mariana Mortágua diz que o Bloco não se opõe a uma comissão de inquérito, mas defende que primeiro é preciso apurar responsabilidades face aos factos já conhecidos.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Foto de Paula Nunes.

"O Bloco nunca se negou a qualquer inquérito, mas eu olho hoje para intervenções e artigos que fizemos em 2017 e estão lá as contas, estão lá as necessidades de capital que o Banco de Portugal não viu, estão lá todas as informações que permitiriam ao Governo saber que esta venda ia ser ruinosa. E o Governo tem de responder por esta venda", defendeu Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas esta quarta-feira.

A deputada bloquista foi questionada sobre a necessidade de uma comissão de inquérito face ao novo pedido de injeção de capital por parte do Fundo de Resolução, desta vez de 1.149 milhões de euros.

Para Mariana Mortágua, nada disto é uma novidade. E lembra que o Bloco alertou para o que se ia passar ainda antes da venda do Novo Banco ao fundo Lone Star, propondo em alternativa a nacionalização do banco como solução menos onerosa para os cofres públicos.

"O Governo sabia o que se passava no Novo Banco, porque se o Bloco sabia, o Governo também tinha obrigação de saber. E sabia que estava a vender um banco com garantia de quatro mil milhões, quase, 3,9 mil milhões, sobre uma carteira de ativos tóxicos de oito mil milhões e que o mais provável era que essa garantia se viesse a realizar, com os riscos a materializarem-se no futuro”, o que agora se comprova, acrescentou a deputada, citada pela agência Lusa.

Sem esquecer a “incompetência” e os “erros” do Banco de Portugal em todo o processo, Mariana Mortágua voltou a lamentar que o governo tenha insistido “naquela que tinha sido a decisão de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, que era uma privatização apressada e sem sentido do Novo Banco."

Quanto à necessidade de uma comissão de inquérito, Mariana Mortágua lembra que não fará sentido se ela servir “para desviar atenções e responsabilidades de processos”. “Primeiro vamos às responsabilidades face aos factos que já foram apurados e, depois, pensaremos se é preciso apurar mais alguma coisa. Mas já há factos e têm que haver responsáveis por esses factos”, propõe a deputada do Bloco.