Governo quer destruir contratação coletiva, acusa a CGTP

15 de junho 2014 - 12:33

Na manifestação realizada neste sábado no Porto, a CGTP acusou governo, confederações patronais e UGT de pretenderem destruir a contratação coletiva. Arménio Carlos considerou também que a acusação do líder da UGT, de que a CGTP é uma “organização autofágica”, é "uma manobra de diversão".

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Manifestação promovida pela CGTP no Porto, 14 de junho de 2014 – Foto de Fernando Veludo/Lusa

A manifestação organizada pela CGTP, neste sábado no Porto, juntou vários milhares de pessoas do norte do país, sob o lema “Acabar com a política de direita – Governo Rua!”.

Na sua intervenção no final da manifestação, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou:

“A nova ‘troika’ formada pelo Governo, confederações patronais e UGT, com a proposta de lei que se encontra em discussão até ao dia 26 de junho, pretende destruir a contratação coletiva, reduzir direitos e retribuições e prolongar o período para a redução do valor do trabalho extraordinário até final do ano”.

Segundo a Lusa, Arménio Carlos considerou que o Governo sabe que está “condenado” e que, por isso, “quer avançar a toda a velocidade com mais medidas facilitadoras dos despedimentos, do embaratecimento dos salários e da generalização da precariedade dos vínculos laborais”.

Arménio Carlos salienta que este é “um momento que convoca também cada um de nós para travar o ataque à Segurança Social, que tem como finalidade pôr em causa os seus princípios – pública, universal e solidária. Ao admitir o princípio da capitalização, através do plafonamento, para as gerações mais jovens, o PSD e o CDS estão a tentar pôr em causa a sustentabilidade financeira da Segurança Social. Mas estão também a promover um ataque à solidariedade intergeracional e a tentar impor reformas de miséria para todos”.

Para o secretário-geral da CGTP, este é também “um momento que exige que todos os trabalhadores dos setores público e privado, independentemente da sua filiação sindical, convirjam na luta contra a revisão laboral, que visa a destruição da contratação coletiva, a redução dos salários e das pensões, o aumento do horário de trabalho, os despedimentos e o roubo dos direitos”.

Em declarações à comunicação social, Arménio Carlos respondeu também às acusações de Carlos Silva, secretário-geral da UGT.

Segundo a Lusa, Carlos Silva acusou a CGTP de ser uma "organização autofágica, amarrada a princípios político-partidários e assente numa política de destruição". O líder da UGT disse ainda sobre a CGTP: “Quando se deixam amarrar por princípios político-partidários em que há um partido, o PCP, o mais ortodoxo de toda a Europa Ocidental, que faz da sua política uma política de destruição, de separatismo, de sectarismo, de oposição a tudo o que é unidade e, sobretudo, de rejeição da convergência – a não ser que a convergência lhes dê jeito –, então como é que os trabalhadores se podem sentir confortados?”.

À Lusa, Arménio Carlos, disse que as declarações de Carlos Silva são uma "manobra de diversão para tentar fugir à questão concreta" que é “a destruição da contratação coletiva e a redução das retribuições”.

"A UGT está disponível para colaborar com o Governo e com os patrões na destruição da contratação coletiva e na redução da retribuição ou está contra? É só disso que se trata. É sobre isso que a UGT tem de responder. Sobre o resto, são conversas que neste momento, pelo baixo nível que demonstraram, não merecem sequer resposta”, acrescentou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP apelou ainda “a todos os trabalhadores e a todos os sindicatos que, não sendo filiados na CGTP estão confrontados com os mesmos problemas face a esta ofensiva que está em marcha, para que se unam e discutam os seus problemas e formem um movimento forte de contestação e de rejeição à proposta de alteração laboral que neste momento o Governo está a tentar implementar com os patrões”.

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