De acordo com a Associação Movimento Nacional – TVDE, a paralisação teve uma forte adesão, chegando a contar com a mobilização de mil motoristas. Na cidade de Lisboa, a Avenida da Liberdade foi palco de uma concentração, que contou com a presença do deputado do Bloco José Soeiro. Noutras cidades também foram organizados protestos semelhantes. A concentração no Aeroporto de Faro é disso exemplo.
As reivindicações dos motoristas são claras. Em causa está, nomeadamente, a redução das comissões retidas pelas plataformas, bem como o aumento do valor mínimo por quilómetro, para 0,70 cêntimos, e o pagamento de 50% dos quilómetros da viagem até à recolha do cliente. Os trabalhadores pretendem ainda que seja assegurada mais fiscalização por parte do Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
“É preciso vir para a rua e reivindicar direitos”
Durante a concentração em Lisboa, os motoristas explicaram ao Esquerda.net que a mobilização poderia ser ainda superior, mas muitos colegas viram-se impedidos de aderir à paralisação porque “estão em risco de falência”.
Conforme referiram, o pagamento de 40 cêntimos ou 50 cêntimos ao quilómetro não é minimamente suficiente para assegurar uma remuneração digna. Os trabalhadores insurgiram-se “contra as regras da Uber”, defendendo que esta deve baixar a sua comissão de 25% para 15%.
Assinalando que, muitas vezes, trabalham 14 a 16h, porque “o custo de vida é muito elevado”, lembram também que as despesas relacionadas com o combustível, seguro, manutenção do carro deixam as suas carteiras ainda mais vazias. E é por isso que defendem que “é preciso vir para a rua, é preciso manifestar, é preciso reivindicar direitos”.
Os estafetas das plataformas digitais, que também realizaram recentemente uma paralisação, manifestaram prontamente o seu apoio aos motoristas dos TVDE.
“É preciso que os ouçam”
O deputado José Soeiro, que tem vindo a acompanhar, desde longa data, a luta destes trabalhadores, e que esteve na concentração de Lisboa, defendeu que o Governo e as plataformas “não podem ignorar esta manifestação”.
“Há umas semanas foram os estafetas e hoje os motoristas de TVDE - em ambos os casos, estão a encontrar a sua voz coletiva. Passo imprescindível e valioso. Agora é preciso que os ouçam”, frisou.