Google prometeu emissões poluentes zero, mas está a aumentá-las

03 de julho 2024 - 16:20

O enorme aumento de consumo de energia nos centros de dados por causa do desenvolvimento de ferramentas de Inteligência Artificial levou empresas como a Google e a Microsoft a admitir que as metas ambientais ficarão mais longe de cumprir.

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Sede da Google.
Sede da Google. Foto de Anthony Quintano/Flickr.

A meta era atingir “emissões líquidas zero” até 2030. Mas a Google está, pelo contrário, a aumentar as emissões de CO2. De 2022 para 2023, o aumento foi de 13%, atingindo um total de 14,3 milhões de toneladas. E se olharmos para os últimos cinco anos percebemos que o aumento é mais significativo: 48% face a 2019.

Estes números são fornecidos pela própria empresa num relatório dado a conhecer esta terça-feira. Nele, a justificação apresentada é que há um aumento de consumo de energia nos centros de processamento de dados, nomeadamente por causa do desenvolvimento das novas ferramentas de “Inteligência Artificial”. A IA tem levado a um aumento de centros de dados. Pelo que a Google reconhece já que “à medida que integramos mais a IA nos nossos produtos, a redução das emissões pode ser um desafio”. Classifica-se agora a meta anterior como “extremamente ambiciosa” e admite-se que alcançá-la “não vai ser fácil”. Isto apesar de se afirmar que existe uma “incerteza acerca do impacto ambiental futuro da Inteligência Artificial que é complexo e difícil de prever”.

Este gigante tecnológico não está sozinho neste aumento. Em maio, um relatório da Microsoft, que também tinha jurado atingir a neutralidade carbónica até 2030, mostrava que as emissões da empresa tinham aumentado 29% desde 2020. Responsabilizava-se aí igualmente os recursos necessários para desenvolver projetos de IA. E o seu presidente, Brad Smith, também mudou de discurso sobre a meta da neutralidade carbónica. Aquilo a que chamou agora um “moonshot”, o que significa um tiro de longo alcance, um objetivo difícil, está ainda mais longo porque, afirma, “a lua mudou” devido à nova prioridade da empresa.

A Agência Internacional de Energia, na sua previsão de consumo até 2026 prevê uma duplicação do uso de eletricidade dos centros de armazenamento de dados relativamente a 2022. Com o consumo destes a atingir um nível equiparado à procura de eletricidade do Japão. Por seu lado, a empresa SemiAnalysis, especializada nestas análises, prevê que, devido à IA, o consumo de energia dos centros de dados alcançará os 4,5% do total mundial em 2030.