Segundo um agente policial citado pela AFP, "a residência [de Carlos Gomes Júnior] foi atacada com granadas-foguete", tendo a polícia sido ”forçada a recuar". Os primeiros disparos foram ouvidos pelas 20h desta quinta-feira, tendo causado o pânico entre a população. Os hospitais não têm qualquer registo de mortos ou feridos na sequência do golpe militar.
Entre os políticos detidos poderá encontrar-se, conforme noticia o Público, o Presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira. Não se conhece o paradeiro de Carlos Gomes Júnior, contudo, surgem informações de que o mesmo terá sido levado pelos militares para parte incerta.
Os militares guineenses terão assumido, conforme reporta a agência Lusa e a AFP, o controlo da Rádio Nacional e terão ocupado a sede do PAIGC, assim como também cortaram inúmeras estradas.
Segundo a agência Lusa, a Televisão Guiné-Bissau suspendeu a sua emissão, assim como várias rádios nacionais.
Este ataque terá ocorrido um dia após o anúncio da data do escrutínio da segunda volta às eleições presidenciais que opõe Carlos Gomes Júnior a Kumba Ialá, agendada para 29 de abril.
Kumba Ialá, assim como os outros candidatos da oposição, terão contestado os resultados obtidos na primeira volta (23,26% para Kumba Ialá e 48,97% para Carlos Gomes Júnior), alegando que existiram inúmeras irregularidades no ato eleitoral. O candidato terá mesmo apelado ao boicote às eleições exigindo à CNE a retirada do seu nome e da sua fotografia do boletim de voto da segunda volta.
A comissão eleitoral, o Supremo Tribunal e os observadores internacionais não terão, contudo, dado razão às queixas de Ialá e dos candidatos Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té e Serifo Baldé.
Nos últimos dias, o contingente militar angolano que estaria no país para apoiar a reforma das forças armadas guineenses, e cuja presença era apoiada por Carlos Gomes Júnior, terá abandonado o país, alegadamente devido à contestação das chefias militares guineenses mediante a presença e ação das forças estrangeiras em Bissau.
Este sábado os ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade para abordar a crise na Guiné.
AR condena golpe militar
A Assembleia da República Portuguesa aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de condenação de "um novo golpe militar" na Guiné-Bissau, apelando a que seja "preservada a integridade física" dos responsáveis políticos guineenses e à reposição da "normalidade constitucional".