A investigação publicada este sábado pelo semanário Expresso conta como “Ricardo Salgado resistiu até ao último dia e pelo caminho acabou por arrastar quase tudo para a ruína”. Quando o Espírito Santo Financial Group (ESFG) foi obrigado a constituir uma garantia junto do Banco de Portugal (BdP) para salvaguardar os investidores que compraram papel comercial da Rioforte e Espírito Santo Internacional, deu como penhor a seguradora Tranquilidade, que avaliaram em 700 milhões. Apesar do seu valor de mercado ser menos de metade, segundo fontes contactadas pelo Expresso, o governador Carlos Costa aceitou recebê-la pelo valor que a família Espírito Santo queria.
O buraco criado pelos Espírito Santo leva a que a garantia de 700 milhões de euros possa valer hoje entre 50 a 150 milhões, a confirmarem-se as estimativas de um preço de venda da seguradora situado entre os 200 e os 300 milhões de euros, a que haverá que descontar os 150 milhões de dívida do GES.
Mas em seguida, a gestão liderada por Pedro Guilherme Beauvillain de Brito e Cunha, outro membro da família que também ocupa cargos de gestão do ESFG, comprou dívida do Grupo Espírito Santo no valor de 150 milhões nos últimos três meses. O buraco criado pelos Espírito Santo leva a que a garantia de 700 milhões de euros possa valer hoje entre 50 a 150 milhões, a confirmarem-se as estimativas de um preço de venda da seguradora situado entre os 200 e os 300 milhões de euros, a que haverá que descontar os 150 milhões de dívida do GES.
Ainda segundo o Expresso, os principais interessados na compra da Tranquilidade são o fundo norte-americano Apollo e a empresa de capital de risco Premira. Apesar de todas as partes estarem interessadas na rapidez do negócio, é pouco provável que ele avance sem antes se saber se a gestão se encontra sob investigação por este caso ou se a seguradora terá de reforçar o capital por causa do buraco de 150 milhões aplicados em dívida do Grupo Espírito Santo.