Com praticamente todos os votos contados na Galiza, o PP perde lugares em relação às últimas eleições regionais (de 42 deputados para 40) mas mantém a maioria absoluta com 47,36% dos votos, o Bloco Nacionalista Galego consegue o seu melhor resultado de sempre, aumentando de 19 deputados para 25 (com 31,58%) , o PS galego desce de 14 para nove (14,04%) e a Democracia Ourenseana estreia-se no parlamento com um deputado ( 1,04%).
A participação eleitoral atingiu o máximo de sempre: 67,29%, ou seja 1.267.888 de eleitores.
Eleições galegas foram “uma mensagem a Espanha”
Alfonso Rueda, o presidente da Xunta reeleito, foi o último a falar na noite eleitoral que considerou ser de “uma mensagem a Espanha sem nenhuma dúvida” e de uma “decisão correta para a Galiza e para Espanha” em que “ganhou a Galiza”.
Para ele, o “triunfo” foi claro” mas é hora de oposição e governo trabalharem “para a Galiza”. Acrescentou ainda que “aqui não queremos chantagens, nem fazê-las nem estar submetidos a elas. Não queremos privilégios para nós nem para os outros.”
Pontón: “Este país já mudou e não há marcha atrás”
Mau-grado o aumento de votos e de ter sido o mais votado em cidades com Vigo, a cabeça de lista do BNG, Ana Pontón, considerou que o resultado “parece insuficiente” para quem queria “abrir um tempo novo” e se desiludiu. Só que o sabor da eleição é mesmo amargo-doce porque ao mesmo tempo os resultados obtidos são também “extraordinários”. Assim, convidou a Galiza a não perder a esperança porque “este país já mudou” e “não há marcha atrás”, havendo “um antes e depois” destas eleições em que o seu partido canalizou um “caudal de esperança”.
O partido promete não baixar os braços até porque “já demonstrou em várias ocasiões que não tem teto”. Assim, hoje, a presidência da Xunta está “mais perto”, porque o BNG está mais consolidado, fortalecido, com mais vontade e impulso do que nunca”.
Somos un BNG fortalecido, con máis ganas e máis empuxe que nunca para seguir defendendo este País.
Grazas a todos e todas as que confiades en nós pic.twitter.com/dndujdKsZM
— Ana Pontón (@anaponton) February 18, 2024
Nas redes sociais, Mariana Mortágua saudou o resultado do BNG e a sua líder "pela campanha de esperança que souberam fazer". A coordenadora bloquista destacou a subida de 19 para 25 lugares no parlamento galego e concluiu que "o BNG consolida-se como força alternativa ao PP".
Saúdo @anaponton e @obloque pela campanha de esperança que souberam fazer. Passam de 19 para 25 lugares no parlamento galego e BNG consolida-se como força alternativa ao PP. pic.twitter.com/eOwCeyXDpc
— mariana mortágua (@MRMortagua) February 18, 2024
PS: “derrota sem paliativos”
José Ramón Besteiro, o candidato do Partido Socialista, que viu esta força política obter o pior resultado de sempre, classificou o sucedido como uma derrota “sem paliativos”. Em seguida reafirmou o “compromisso inquebrantável com a Galiza”, assegurando que os eleitos irão trabalhar para “construir uma alternativa” procurando “fazer políticas para a maioria que solucionam problemas”.
Noite difícil para o resto da esquerda
O resto da esquerda galega reconheceu que não obteve os resultados esperados. Marta Lois, cabeça de lista do Sumar, qualificou os resultados como “maus” e admitiu que “não é uma noite fácil”. Ainda assim, acredita que na Galiza, o Sumar é “um projeto de futuro”, lembrando que foi a primeira vez que o partido se apresentou ao eleitorado e “partíamos do zero”.
Isabel Faraldo, do Podemos, também admitiu uma derrota eleitoral qualificando o sucedido como um “fracasso” para a esquerda. Acrescentou que “sabíamos que enfrentávamos um cenário difícil e um PP numa situação muito forte” e que “é necessário um Podemos forte” nas lutas pela saúde e educação pública e contra a “política de caciquismo, oportunista e clientelar” do PP.
O Sumar obteve apenas 1,9% dos votos e o Podemos 0,25%.
A “Democracia Ourensana” entrou no parlamento
Uma das surpresas da noite foi a eleição de um deputado pela Democracia Ourensana. Gonzalo Pérez Jácome, líder do partido localista, considerou o sucedido “histórico”, “meritório e impressionante”. Isto apesar de não ter conseguido o objetivo apresentado de ser “a chave” para a constituição de um governo e de eleger “dois ou três deputados” conforme dizia nos discursos pré-eleitorais. Apesar disso, o autarca de Ourense assegura que “vai mudar tudo porque começa uma contagem regressiva” para as próximas eleições autonómicas.
A Democracia Ourensana é um partido populista de direita fundado em 2001 criado a partir de um canal de televisão local que funcionava sem licenças. Foi insistindo nas eleições autárquicas de Ourense até conseguir pela primeira vez representação na vereação em 2011 e ganhar a câmara em 2019 em minoria mas com o apoio do PP. Apesar de uma debandada de cinco dos seus vereadores durante esse mandato, em 2023 conseguiu reforçar a votação, voltando a governar com o apoio do PP. Jácome conseguiu esse resultado e o destas eleições apesar da polémica que o envolveu quando o ano passado o jornal La Región publicou gravações suas em que aparecia a gabar-se de ser especialista na lavagem de dinheiro sujo em campanhas.
Extrema-direita derrotada
O Vox foi um dos grandes perdedores da noite com 2,2%. A Galiza continua assim a ser o único território do Estado Espanhol onde a extrema-direita não tem representação, tendo este domingo apenas obtido cerca de 30.000 votos.
Ao comentar a pesada derrota, o líder da extrema-direita culpou o PP porque pensa que “temos de ter consciência de que estamos a viver uma agonia, o avanço do bloco separatista parece inexorável”, criticando o principal partido da direita espanhola por ter dito que “a Galiza é uma nação sem Estado”, pela sua política linguística na Galiza e por “aplicar a agenda 2030” o que abriria caminho para "a esquerda e os independentistas".