Os funcionários judiciais espanhóis manifestaram-se esta quarta-feira em frente ao Ministério da Justiça e anunciaram também que vão iniciar uma greve de três horas diárias por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira e uma paralisação total no dia 19 de abril, seguida por uma grande manifestação a nível nacional.
Quatro diferentes forças sindicais, a Central Sindical Independiente y de Funcionarios, o Sindicato de Trabajadores de la Administración de Justicia, as Comisiones Obreras e a Unión General de Trabajadores juntam-se na procura de melhores salários. A RTVE relata que na manifestação estiveram presentes cerca de mil delegados sindicais que esperavam que o Governo apresentasse uma proposta “concreta e razoável” de aumentos salariais para iniciar negociações como disse Javir Jordán do CSIF.
O calendário de luta surge na sequência da vitória de uma outra greve por tempo indefinido dos letrados judiciais, um corpo superior de funcionários que antigamente eram designados como secretários judiciais. Durou dois meses, fez suspender mais de 350.000 julgamentos e resultou em aumentos graduais de entre 430 a 450 euros por mês. Agora, os restantes funcionários judiciais exigem o mesmo acordo que fez parar esta greve.
As reivindicações salariais não são as únicas que animam estes 45.000 trabalhadores. Querem também que a Lei Orgânica de Eficiência Organizativa seja travada porque, alegam, “colocaria em risco (…) os postos de trabalho, os destinos, a mobilidade voluntária, as retribuições especiais e as funções concretas sem a mediação de uma negociação prévia”, revela o Público espanhol.
Também no setor da Justiça, de acordo com o mesmo jornal, os juízes manifestam-se “dececionados” com a negociação com o ministério da tutela. No final do mês passado, as quatro associações judiciais do país assinavam uma nota conjunta em que assinalavam que “depois de um ano a trabalhar com esta equipa ministerial pela melhoria das condições profissionais da carreira judicial, encontramo-nos num ponto em que o Ministério da Justiça nem sequer foi capaz de concretizar uma data para a mesa negocial sobre retribuições”, indicando igualmente que por isso “começamos a confecionar, desde já, um calendário de medidas de pressão, estando, porém, descartada a possibilidade de greve.
Também queixando-se de não lhes ter sido comunicada uma data para a reunião da mesa negocional sobre retribuições que se realiza a cada cinco anos estão os fiscais do Estado, representado na Asociación de Fiscales, na Unión Progresista de Fiscales e na Asociación Profesional Independiente de Fiscales.
E os advogados oficiosos exigem melhorias nas condições profissionais e retributivas, tendo marcado uma concentração para dia 27 de abril em frente ao parlamento.