Milhares de pessoas saíram à rua em Maubeuge, em França, contra o programa de reestruturação anunciado pela Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi que vai despedir 4600 trabalhadores neste país e mais de 15 mil em todo o mundo.
De acordo com o Libération, uma multidão de pessoas juntou-se à frente da unidade industrial da MCA Renault, onde trabalham perto de 3 mil trabalhadores, numa marcha que seguiu até ao edifício da Câmara Municipal, em Maubeuge, para exigir uma solução que vá contra o encerramento desta fábrica, que produz a famosa carrinha Renault Kangoo. A Administração quer encerrar Maubeuge e transferir a produção para Douai, onde quer começar a produzir a Kangoo em veículo elétrico.
Maubeuge grosse manif contre la fermeture du site de Renault
Cette colère qui gronde pic.twitter.com/DlblJIH8QX— CGT TUIFRANCE (@CgtTuifrance) May 30, 2020
Segundo Yannick Charlesege, delegado sindical da CFTC, o protesto juntou a CGT, CFDT, CFTC, CFE-CGC, SUD. Este refere que “a Assembleia representa três quartos da força laboral da fábrica”. A fábrica “não pertence à Renault, mas sim aos seus trabalhadores. Lutamos desde 2008 para manter esta unidade a funcionar, sem aumentos de salários e a trabalhar aos sábados, sempre cumprimos.”
Os manifestantes relembraram a visita do Presidente francês, Emmanuel Macrón há 18 meses onde prometeu que nada iria acontecer a esta unidade industrial e acusam esta decisão de trair os trabalhadores porque foram investidos 450 milhões de euros para iniciar a produção da Kangoo a gasóleo, gasolina e elétrica em Maubeuge. Os sindicatos acusam a Administração de “sob pressão, suspenderem este processo.”
Em declarações à AFP, Jean-Marc Pelleriaux, da CGT, também aponta o dedo ao Macron e diz que “a MCA deve-se manter em Maubeuge” e que “vamos lutar para manter os nossos empregos aqui, não para sermos transferidos para Douai.”
Para além disto, segundo o Libération, a produção da Renault em Choisy-le-Roy vai ser transferida para Flins. Não havendo sequer garantias de funcionamento para o futuro próximo.
Os sindicatos frisam que muitos dos trabalhadores que serão transferidos não poderão projetar um futuro porque, por exemplo, acabaram de fazer empréstimos em Choisy-le-Roy e outros já estão instalados há muito tempo na localidade.
Na passada sexta-feira, centenas de pessoas saíram à rua em Barcelona para protestar também contra a reestruturação da Renault-Nissan-Mitsubishi que vai encerrar três fábricas e prejudicar 25 mil famílias na cidade catalã.