A Renault anunciou esta sexta-feira um plano de restruturação para os próximos três anos que prevê a redução de 8% dos seus trabalhadores, afetando cerca de 15 mil trabalhadores em várias unidades espalhadas pelo mundo, dos quais 4.600 em França.
Segundo afirmou à Lusa o diretor de comunicação da Renault Portugal, não se prevê que a vaga de despedimentos afete a fábrica de Cacia, que neste momento “está a arrancar com a produção da nova caixa de velocidades, que fabrica em exclusivo para o Grupo Renault, e que vai equipar os modelos e os grupos motopropulsores de maior volume no seio do grupo”.
A vaga de despedimentos vai estender-se ao conjunto da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, que começou em 1999 quando a Renault comprou 36,8% das ações da Nissan (neste momento este valor já vai nos 43,5%) e onde em 2016 entrou a Mitsubishi depois na Nissan comprar 34% da marca.
De acordo com o Economia Digital, em Barcelona, a Nissan vai encerrar em dezembro três fábricas de produção e despedir mais de três mil pessoas, o que pode afetar 25 mil famílias. A multinacional comunicou que vai começar a desmantelar, pouco a pouco, as unidades industriais.
O encerramento das unidades da Nissan em Barcelona põe em causa o emprego de 30 mil trabalhadores das empresas que trabalham indiretamente com esta multinacional ou através de subcontratações. A empresa mais afetada será a Acciona Facility Services, cujos 500 trabalhadores laboram nos serviços logísticos e de uma parte da montagem na Nissan. As várias administrações destas empresas que dependem da Nissan acusam-na de “ligeireza” e de não serem capazes de construir um plano industrial.
Em forma de protesto, os trabalhadores afetados pelos encerramentos das três unidades industriais da Nissan em Barcelona juntaram-se em frente à unidade da Zona Franca. Os sindicatos apelam aos trabalhadores para que a greve se mantenha durante tempo indeterminado e para que dupliquem a mobilização
La plantilla de Nissan luchando por el furturo de 25 mil familias obreras y por la industria. Mientras la derecha agita el odio y sus banderas por sus privilegios, la clase obrera defiende el empleo y la industria de su país #FuturoParaNissanYA pic.twitter.com/lL82aC3xen
— Ricard AJE (@rickaos17) May 28, 2020
As autoridades espanholas e catalãs têm procurado encontrar soluções que minimizem o impacto destes encerramentos em Barcelona.
O Presidente da Generalitat, Quim Torra, afirmou que irá ativar “todos os mecanismos e iniciativas possíveis" junto do Governo espanhol e que “faremos tudo que estiver nas nossas mãos para evitar o encerramento a partir de dezembro.”
A ministra da Indústria do Governo espanhol negou que a nacionalização da empresa fosse uma possibilidade, já que “sempre que há uma iniciativa privada, o Governo o que tem que fazer é acompanhar”, referiu numa entrevista à rádio Cope. Mesmo assim, a Nissan rejeitou uma proposta de investimento apresentada pelas autoridades espanholas para a renovação das instalações e para a aposta na produção que um carro elétrico.
O plenário da Câmara Municipal de Barcelona, presidida por Ada Colau, aprovou esta sexta-feira uma moção de urgência onde “exige” que a Nissan se apresente como “parte ativa na procura de alternativas para manter os empregos.”