A intenção da presidência francesa de suspender temporariamente o acordo Schengen será, muito provavelmente, o ponto quente da cimeira franco-italiana que se realiza na próxima terça-feira, dia 26 de Maio, em Roma.
As tensões entre os dois países têm-se intensificado. No domingo passado, o governo francês ordenou a interrupção, por algumas horas, da circulação de comboios entre a cidade italiana de Ventimiglia até ao sudeste de França, de modo a evitar uma possível desordem da ordem pública causada pela chegada de um comboio cheio de emigrantes tunisinos acompanhados por activistas dos direitos humanos.
Este procedimento, que causou bastante desagrado ao governo italiano, foi posterior, por sua vez, à decisão de Roma de conceder autorizações de residência de seis meses a mais de 20 mil tunisinos para que estes possam juntar-se aos "amigos e parentes" em França e no resto da Europa.
A presidência francesa considera que “é necessário pensar num mecanismo que permita intervir, quando se verifique uma deficiência do sistema numa fronteira exterior [da União Europeia], mediante uma suspensão provisória durante o tempo que essa deficiência demorar a ser corrigida”.
Os franceses adiantam ainda que “se se quiser salvaguardar [o acordo de] Schengen e sair airosamente da crise, é preciso reforçar a aplicação de Schengen e dotá-lo de ferramentas”.
Entre as medidas a implementar, Paris aponta o reforço da agência europeia de vigilância fronteiriça e a criação de “um mecanismo de cláusula de salvaguarda”.