“As distorções na economia acumularam-se durante décadas e é irrealista esperar que possam ser removidas nos três anos de um programa de ajustamento ou que o processo de reforma possa ser imposto externamente”, declarou Subir Lall em entrevista ao jornal Financial Times.
O representante do FMI na troika deixou o aviso bem claro aos partidos signatários do primeiro memorando: “as transformações de que a economia precisa terão de continuar por mais dez a 15 anos e terão de ser caseiras”. Ou seja, aplicadas com o apoio de PSD, PS e CDS.
“Mudar a forma como a economia responde e ultrapassar a inércia requer um esforço contínuo e terá de ser feito independentemente do partido político que estiver no poder”, prosseguiu Subir Lall, não escondendo a satisfação pelo “surpreendente ajustamento” sofrido pela economia nos últimos dois anos.
Sem se referir uma única vez ao desemprego e à quebra de salários, o representante do FMI afirmou que nas eleições previstas para 2015 “os investidores querem perceber se existe um amplo consenso sobre os principais objetivos” das reformas propostas pela troika e que essas reformas iniciadas pelo memorando da troika são para continuar “custe o que custar”.