O grupo que controla o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo e a rádio TSF, além de outros títulos, conheceu esta quarta-feira mais um dia agitado, com a renúncia de José Paulo Fafe do cargo de presidente da comissão executiva. Em comunicado, Fafe afirma que põe um ponto final na atribulada experiência de quatro meses como CEO da Global Media “por considerar estarem esgotadas as condições para exercer essas funções, nomeadamente os pressupostos essenciais, nomeadamente o necessário entendimento entre acionistas, para levar a cabo a reestruturação editorial que há muito este grupo necessita”.
A demissão surge poucas semanas depois de Fafe ter ido ao Parlamento atacar as administrações anteriores e recusar-se a identificar quem está por detrás do misterioso fundo das Bahamas que adquiriu o controlo do grupo ao empresário Marco Galinha. E segue-se às demissões que entretanto foram anunciadas dos administradores Filipe Nascimento, Paulo Lima Carvalho, Victor Menezes, Diogo Agostinho e Carlos Beja.
"É preciso saber quem representa agora os piratas das Caraíbas, o que será da sua participação, e se o afastamento do Fafe garante a injeção de dinheiro necessária por parte dos outros acionistas para pagar salários", disse ao Esquerda.net a deputada bloquista Joana Mortágua.
A Entidade Reguladora da Comunicação instaurou este mês um processo de averiguações sobre os titulares da propriedade do grupo e as consequências da anunciada restruturação para o pluralismo e preservação das linhas editoriais dos diferentes títulos. Mais recentemente foi notícia que já teria recebido respostas de alguns acionistas. Na quarta-feira, o Bloco de Esquerda requereu a documentação já recebida pelo regulador, nomeadamente "no que respeita à identificação da cadeia de imputação de participações sociais na Global Notícias - Media Group e a várias alterações relativas ao domínio dos operadores de rádio e projeto de serviço da TSF, assim como outras diligências que tenham sido entretanto tomadas a este propósito".
Trabalhadores da TSF não sabem quando vão receber salário de janeiro
Em comunicado citado pela Rádio Renascença, a Comissão de Trabalhadores da TSF diz não ter obtido resposta por parte da administração de quando pretende fazer o pagamento do salário de janeiro, depois de passar o dia do pagamento sem o dinheiro cair na conta e sem explicações para o sucedido. E "lamenta, uma vez mais, que um tema tão sensível como este não mereça resposta, tampouco um aviso aos trabalhadores que voltam a entrar num novo mês sem saberem quando vão poder cumprir com as suas responsabilidades financeiras”.
Além dos salários em atraso, a CT da TSF “teve conhecimento de que foram feitas propostas de trabalho a recibos verdes a trabalhadores com quem a empresa não quis renovar contratos”, situação que denunciou à Autoridade para as Condições do Trabalho. Por outro lado, os trabalhadores que tinham aceitado a proposta da administração para rescindir contrato com a rádio também não sabem ainda como será efetuada a sua saída, "num evidente desrespeito pelas vidas e carreiras destas pessoas”.
Trabalhadores do Diário de Notícias suspendem greve por cinco dias
Em comunicado citado pela agência Lusa, as delegadas sindicais do Diário de Notícias anunciam a suspensão da greve marcada para esta sexta-feira por um período de cinco dias, até 7 de fevereiro, apesar de a administração "já estar em incumprimento salarial e ainda não ter regularizado o pagamento do subsídio de Natal".
A suspensão foi anunciada a seguir ao comunicado de demissão de José Paulo Fafe e os trabalhadores do DN dizem que os próximos cinco dias são um "prazo considerado aceitável para a regularização total das verbas em falta e para a GMG definir o futuro do título, depois da demissão do CEO", que esperam ser "um passo no sentido da regularização" da vida laboral neste grupo de comunicação.
"Como promessas não pagam dívidas e considerando o reiterado incumprimento por parte da administração do GMG, a partir dessa data – 07 de fevereiro de 2024 – a suspensão do pré-aviso de greve cessará e os trabalhadores reservam-se o direito de aderir à greve por tempo indeterminado, nos termos descritos naquele pré-aviso", refere o comunicado.
Notícia atualizada às 13h10 com a informação da suspensão da greve no Diário de Notícias.