Assédio laboral na Global Media: Sindicato queixa-se à Inspetora de Trabalho

29 de janeiro 2024 - 21:06

A administração criou “um clima de intimidação sobre os trabalhadores e os seus representantes”, diz o Sindicato dos Jornalistas, que apresentou participação na Autoridade para as Condições do Trabalho.

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Concentração de trabalhadores da Global Media em greve junto ao Parlamento. Foto Esquerda.net
Concentração de trabalhadores da Global Media em greve junto ao Parlamento. Foto Esquerda.net

O Sindicato dos Jornalistas apresentou esta segunda-feira uma participação à Inspetora-Geral do Trabalho na qual denuncia a existência de assédio laboral na Global Media. A estrutura identifica “ações e pressões levadas a cabo pela atual Comissão Executiva do Global Media Group que criaram um clima de intimidação sobre os trabalhadores e os seus representantes”.

De acordo com o comunicado da direção sindical, “entre as questões identificadas como passíveis de configurar assédio laboral estão o reiterado desrespeito da Comissão Executiva pelos trabalhadores, patente em várias decisões tomadas ao arrepio da lei e/ou sem consulta aos representantes legais, que o SJ entende constituir uma forma de pressão e intimidação”.

A participação baseia-se ainda em “declarações e ações dos administradores, nomeadamente José Paulo Fafe e Paulo Lima de Carvalho denunciando-se pressões dissimuladas e um conjunto de ataques ao exercício e à atividade sindical”.

Protesta-se ainda pela “utilização dos trabalhadores do GMG e o (não) pagamento dos seus salários como arma de arremesso perante os outros acionistas, como forma totalmente ilegítima de ripostar contra a decisão do Governo de não adquirir a percentagem do grupo na Lusa ou como meio de pressão perante a ERC” ou “numa tentativa dissimulada de fazer desistir os mais fragilizados entre os prestadores de serviços, que nos últimos meses só têm como certa a total incerteza”.

O objetivo da participação é que a Autoridade para as Condições do Trabalho “se inteire de todas as ações tomadas” pela Comissão Executiva da Global Media "que fez dos trabalhadores um adversário, quando são estes que acrescentam valor e mantêm a empresa a trabalhar, mesmo com salários ou subsídios em atraso”.

Espera-se portanto que esta entidade “tome as respetivas ações no sentido de punir um conjunto de atos, praticados de forma deliberada e consciente, com o objetivo e o efeito de perturbar e constranger os trabalhadores deste grupo, afetar a sua dignidade e criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante e desestabilizador. Ou seja, a prática de assédio laboral”. Uma tal ação inspetiva poderia ser “um sinal evidente e incontornável de que vivemos num país democrático em que as instituições funcionam e são regidas por leis, iguais para todos”, conclui o sindicato.