Depois de ter dito aos deputados que esperava uma transferência do World Opportunity Fund para proceder ao pagamento dos salários em atraso no início da semana, o presidente executivo da Global Media terá dito a alguns trabalhadores, segundo noticia o Expresso, esperar agora que o pagamento seja feito “no máximo até quarta ou quinta-feira”. A administração não comenta a falta de pagamento de salários nem quantos trabalhadores aderiram ao programa de rescisões voluntárias até ao final do prazo na passada quarta-feira.
Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas afirmou esta segunda-feira estar "perplexo com a postura da Comissão Executiva da Global Media Group" pela falta de explicações aos trabalhadores e pela incapacidade de pagar os devidos salários, concluindo que esta administração "parece incapaz de encontrar soluções para os problemas do grupo".
No dia em que os trabalhadores esperavam um esclarecimento por parte da Comissão Executiva (CE) do grupo sobre a situação, "receberam um email a anunciar um diretor interino na TSF… E foi a única comunicação com os trabalhadores, em todo este tempo, o que não surpreende tendo em conta o desprezo que a CE tem demonstrado quase desde que tomou posse", refere o sindicato.
A partir desta quarta-feira, 17 de janeiro, os trabalhadores da Global Notícias, empresa do Global Media Group (GMG) que engloba o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, várias revistas e o desportivo O Jogo, podem suspender o seu contrato e os serviços jurídicos do sindicato estão a prestar apoio nessas situações.
O sindicato adianta que vai propor uma intervenção de urgência da Autoridade para as Condições do Trabalho no Global Media Group, "para tentar perceber por que razão a empresa não paga os salários, uma vez que o grupo continua a trabalhar, a vender jornais, a cobrar publicidade. Certamente entra dinheiro todos os dias, mas não chega aos trabalhadores".
Os três administradores executivos do grupo - José Paulo Fafe, Paulo Lima de Carvalho e Filipe Nascimento - são visados neste comunicado, com o sindicato a dizer que eles "parecem não ser capazes de gerir a empresa e, aparentemente, estão apenas empenhados em engrossar as listas do Instituto de Emprego com 200 trabalhadores do GMG, quando há propostas de investidores que prometem investimento e poupam empregos.
"Que move José Paulo Fafe, Paulo Lima de Carvalho e Filipe Nascimento? Porque parecem tão agarrados a este grupo? Porque não deixem quem quer salvar o GMG, fazer jornalismo, manter empregos andar para a frente? O objetivo é só destruir empregos? Acabar com um grupo de média?", questiona o sindicato.
Por último, o Sindicato dos Jornalistas acusa a administração do grupo de investir na insegurança dos trabalhadores na redação do Porto, ao acabar com os serviços de vigilância 24 horas no edifício onde estão as redações do Jornal de Notícias e de O Jogo, situado "numa zona algo isolada e que até à mudança destes dois títulos para o local estava conotada com o tráfico e consumo de droga".