À entrada para mais uma edição do Fórum Socialismo, que marca a rentrée política do Bloco de Esquerda, a eurodeputada bloquista Catarina Martins criticou o Governo por estar a seguir uma agenda que não corresponde ao que as pessoas precisam.
Com o país a arder, as urgências hospitalares fechadas ou as escolas a abrir com falta de professores, prosseguiu Catarina, o que o Governo tem para dizer são “coisas contra o Tribunal Constitucional” e anúncios sobre corridas de Fórmula 1 ou “umas comemorações de uma data [25 de novembro] que, aliás, não tem nenhum sentido comemorar”.
“Não sou só eu que olho com muita perplexidade para a forma como o debate político está a ser feito”, afirmou Catarina, defendendo que a este “debate político degradado” é necessário contrapor “diálogos políticos sérios para resolver os problemas reais que as pessoas têm”.
E esses problemas são os salários baixos, a conta do supermercado a subir e os preços das casas que “são dos mais altos do mundo”. Por isso, concluiu, “este governo parece que vive noutro mundo”.
Presidenciais
Catarina considera que “novo impulso refundador da democracia” é “tarefa fundamental”
Questionada pelos jornalistas sobre o significado da participação da coordenadora do Bloco na flotilha humanitária que parte este domingo para Gaza, Catarina respondeu que “a Mariana tem uma enorme coragem e está a usá-la onde ela tem de ser usada, respondendo a um apelo internacional que lhe foi feito, para estar e para proteger” a flotilha enquanto deputada eleita. E ao mesmo tempo está a dar “este sinal internacional de que é mesmo preciso quebrar o cerco, que nós não ficamos simplesmente a olhar para a televisão ou nas redes sociais muito comovidos com o que está a passar, mas há mesmo quem tenha a coragem de ir, e agir, porque é mesmo preciso fazer chegar os alimentos”.
O tema das presidenciais também suscitou a curiosidade dos jornalistas, sobretudo após o anúncio de Catarina Martins acerca da sua disponibilidade para ajudar a construir um espaço político ainda ausente do naipe de candidaturas já no terreno. “Tenho falado com muita gente que me diz que não tem em quem votar e que sente que não pode ficar fora das presidenciais a capacidade de haver novos diálogos, novas respostas, novas formas de colocar os problemas”, afirmou Catarina, prometendo mais novidades “em breve”.