Os antigos trabalhadores da refinaria da Petrogal em Matosinhos estão em processo de “reconversão profissional”. Nesse âmbito, foram contactados o mês pelo IEFP para participar num curso de maquinista ferroviário para serem contratados pela CP. A empresa Fernave – Formação Técnica, Psicologia Aplicada e Consultoria em Transportes e Portos ficou responsável por fazer os exames de aptidão. Só que os trabalhadores denunciam que nos testes psicotécnicos que lhes foram aplicados havia perguntas relacionadas com a participação sindical, a defesa dos seus direitos laborais e a participação em manifestações.
Os trabalhadores fizeram chegar estas denúncias ao Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda. E este questionou o Ministério do Trabalho sobre o sucedido. Na pergunta enviada ao governo, o partido afirma que os trabalhadores, que “estiveram dois anos abandonados, desesperando pelo cumprimento de promessas que muito tardaram”, “dizem que lhes são colocadas perguntas sobre atividade sindical, pontos de vistas sindicais ou opiniões sobre direitos dos trabalhadores”. Estas, consideram os deputados bloquistas são “absolutamente inaceitáveis” por serem “um atropelo a liberdades cívicas e sindicais”.
Acrescenta-se ainda que não pode “ser excluída uma relação de causa e efeito” porque “quem tem algum passado de participação sindical ou laboral acaba por ser considerado inapto para participar na formação”.
O partido responsabiliza não só a empresa responsável pelo processo mas também o IEFP já que “mesmo a circunstância de poder ter subcontratado o serviço de seriação e formação externamente” não faz com que este fique “desresponsabilizado sobre o cumprimento da lei e desobrigado de salvaguardar os interesses destes ex-trabalhadores”.
Assim, pergunta-se ao governo se tem conhecimento do que se passou, se o IEFP conhece o conteúdo dos testes psicotécnicos que estão a ser realizados aos ex-trabalhadores da refinaria da Petrogal de Matosinhos no âmbito da preparação do curso de maquinista ferroviário, se tal prática é permitida pelo governo.
Sobre este assunto, o Jornal de Notícias contactou este Ministério que terá respondido não ter conhecimento da questão.