Gaza

Ex-primeiros-ministros de Israel denunciam plano de campo de concentração

16 de julho 2025 - 10:12

O governo de Netanyahu pretende encerrar a população da Faixa de Gaza naquilo a que chama eufemisticamente uma “cidade humanitária”. Várias vozes no interior do seu país se levantam contra o projeto.

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Refugiados palestinianos à espera de auxílio humanitário. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.
Refugiados palestinianos à espera de auxílio humanitário. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

O projeto do ministro da Defesa israelita, Israel Katz, de construir uma “cidade humanitária” nas ruínas de Rafah, para obrigar a ficar aí inicialmente cerca de 600.000 pessoas e depois toda a população da Faixa de Gaza, corresponde a uma limpeza étnica e ao estabelecimento de um campo de concentração. As palavras são nada mais nada menos do que do ex-primeiro ministro do país, Ehud Olmert, que governou entre 2006 e 2009.

Em declarações ao Guardian, o político sionista de centro-direita avançou Israel está a cometer crimes de guerra e esta medida seria uma escalada na situação. “Se eles forem deportados para a nova “cidade humanitária”, então pode-se dizer que isto é parte de uma limpeza étnica”, conclusão que diz ser uma “interpretação inevitável” do projeto do governo de Netanyahu.

Olmert inicialmente apoiou o ataque que se seguiu ao 7 de outubro de 2023 mas passou a considerar que a guerra não era de auto-defesa, o que fez, garante, “envergonhado e de coração partido”, referindo as “operações contínuas organizadas, orquestradas da maneira mais brutal, criminosa em grande grupo”.

Também Yair Lapid, outro ex-primeiro-ministro, por seis meses em 2022, ainda no ativo e apresentando-se como líder da oposição, utilizou o mesmo tipo de palavras para descrever o programado pelo governo sionista. À rádio do exército israelita afirmou que a dita “cidade humanitária” era “uma má ideia de todas as perspetivas possíveis: de segurança, políticas, económicas, logísticas”, somando que “se é impossível sair, então é um campo de concentração.

O ex-governantes não são os únicos a colar aos planos do governo sionista a palavra campo de concentração. O mesmo têm dito advogados, académicos e defensores dos direitos humanos no interior do país.

Do lado, do exército, o plano encontrou igualmente oposição mas por questões legais e logísticas noticiou o Haaretz.

Philippe Lazzarini, dirigente da Agência das Nações Unidas para os refugiados Palestinianos, usa o mesmo termo: “isto criaria de facto campos de concentração massivos na fronteira com o Egito” de forma a “privar os palestinianos de qualquer perspetiva de um futuro melhor na sua pátria”.