Em entrevista ao Diário de Notícias (DN), António Fontes justifica os seus “receios” face ao desenrolar do processo das eleições regionais de 9 de Outubro com “o que viu nas eleições presidenciais de 1980”.
“Em todas as mesas, o general Ramalho Eanes [então, apoiado por PS e PCP] tinha ganho e em todas as mesas o general Soares Carneiro [candidato da AD, a aliança PSD/CDS/PPM] passou a ganhar. E não estamos a brincar. A chapelada foi grande. Não foram 10 ou 15 votos por mesa, mas 300 a 400, preenchidos em nome de votantes que não foram votar”, adiantou o ex-militante da JSD da Madeira.
António Fontes terá presenciado estas alegadas adulterações, tendo participado numa mesa de voto. Fontes terá escrito a Alberto João Jardim a explicar o que tinha acontecido, não tendo recebido qualquer resposta.
Em 19 de Julho, o actual deputado do PND terá levantado suspeitas sobre esta questão aquando da discussão de voto de protesto apresentado pelo Bloco de Esquerda face à recusa do presidente da Assembleia Legislativa em receber em audiência uma delegação da Comissão nacional de Eleições (CNE), mas só agora revelou todos os pormenores ao DN.
António Fontes considera que a presença de “observadores internacionais” no escrutínio de 9 de Outubro é essencial para impedir a “legitimação” de uma nova “chapelada” e para “assegurar eleições livres na Madeira”.