Ex-embaixador que denunciou corrupção em Angola impedido de viajar para Portugal

04 de dezembro 2012 - 16:33

O antigo líder partidário, e professor de história, cujas denúncias originaram uma investigação da Procuradoria Geral da República a alegados casos de corrupção e fuga de capitais envolvendo algumas das principais figuras do regime angolano, viu o seu passaporte confiscado e encontra-se impedido de abandonar o país.

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Entre as figuras sob investigação estão Manuel Vicente, vice-presidente de Angola e ex-director-geral da Sonangol; o general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República; e o general Leopoldino Nascimento “Dino”, consultor do ministro de Estado e ex-chefe de Comunicações da Presidência da República.

 

As autoridades angolanas confiscaram o passaporte do antigo líder do extinto Partido Angolano Independente, impedindo a saída de Adriano Parreira do país, quanto este se preparava para apanhar o avião para Portugal. 

Adriano Parreira solicitou, recentemente, uma investigação da Procuradoria Geral da República aos alegados casos de corrupção e fugas de capitais envolvendo algumas das principais figuras do regime angolano.

De acordo com o site angolano Club K, que anunciou em primeira mão o sucedido, o professor de história e antigo líder partidário encontrava-se no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, , na noite de segunda-feira,  quando foi impedido pelos Serviços de Migração e Estrangeiro de se deslocar para Portugal.

As autoridades não só retiveram o passaporte a Adriano Parreira, como o intimaram a apresentar-se no gabinete do Procurador Geral Adjunto da República, junto da Direção Nacional de Investigação e Ação Penal. Antigo embaixador em Berna, Adriano Parreira já tinha sido condenado há alguma tempo a dois anos de prisão, por desvio de fundos.

A retenção estará relacionada com um pedido feito à Procuradoria-Geral da República portuguesa para investigar informações publicadas na imprensa que associam figuras do círculo presidencial de Angola a casos de corrupção.

Há poucas semanas, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal confirmou que estava a decorrer uma investigação em Portugal a figuras do círculo presidencial de Angola, negando, no entanto, que estivessem “constituídos quaisquer arguidos”.

Entre as figuras sob investigação estão Manuel Vicente, vice-presidente de Angola e ex-director-geral da Sonangol; o general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República; e o general Leopoldino Nascimento “Dino”, consultor do ministro de Estado e ex-chefe de Comunicações da Presidência da República.

As notícias desta investigação, que se iniciou a partir de uma denúncia de Adriano Parreira, deram origem a um violento editorial do Jornal de Angola, órgão próximo do círculo mais influente do regime angolano, onde se podia ler que este inquérito “prejudica as relações entre os dois países”.

Poucos dias depois, e após algumas vozes críticas se terem levantado em Portugal, um novo editorial deste jornal aconselhou o líder parlamentar do Bloco, Luís Fazenda, e Pacheco Pereira a deslocarem-se a Angola para verem “que este é um espaço de liberdade como já poucos existem no mundo”.

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