O relatório da Agência Europeia do Ambiente cobre o período entre 1980 e 2020 nos 27 Estados-membro da União Europeia e também na Noruega, Suíça, Turquia, Islândia e Liechtenstein. E conclui nesse período os eventos climáticos extremos como as tempestades, ondas de calor ou inundações provocaram prejuízos económicos de cerca de meio bilião de euros - dos quais apenas um terço estava segurado - e entre 85 e 145 mil mortes.
O objetivo deste trabalho é o de fornecer mais dados sobre o impacto destes eventos climáticos extremos e o risco que coloca aos bens, infraestruturas e à saúde humana, tendo em conta que todas as previsões apontam para o seu aumento nos próximos anos.
Quanto ao prejuízo económico, em termos absolutos foram a Alemanha, França e Itália a sofrer mais com o impacto destes eventos. No que diz respeito à perda de vidas humanas, mais de 85% ficou a dever-se às ondas de calor, em particular a ocorrida em 2003, que é responsável por entre metade a 75% do total de mortes registadas pelo estudo nas últimas quatro décadas. Desde então, as ondas de calor semelhantes provocaram muito menos vítimas, o que a agência atribui às medidas de adaptação tomadas nos diferentes países desde então.
Num outro relatório publicado no mês passado sobre riscos climáticos para a Europa, a agência avisava que “os europeus precisam de se preparar para mais dias com calor extremo e para fenómenos de precipitação mais extremos”. No Sul da Europa o cenário previsto é o de verões mais quentes, secas mais frequentes e um maior risco de incêndios, enquanto no Norte se prevê o aumento da pluviosidade média anual e a precipitação intensa. Já a Europa Central deverá ver reduzida a precipitação estival, mas deve registar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e mais fortes, incluindo precipitação intensa, cheias, secas e risco de incêndios.