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Europa com Boric: políticos e intelectuais defendem futuro democrático e social para Chile

Boaventura Sousa Santos, Francisco Louçã, Thomas Piketty, Pilar del Río e Anne Hidalgo são alguns dos nomes que tomam posição contra o perigo de uma “involução” naquele país da América Latina se a extrema-direita ganhar as eleições.
Gabriel Boric. Foto de @esmaelmorais/Twitter.
Gabriel Boric. Foto de @esmaelmorais/Twitter.

Dezenas de políticos, académicos e intelectuais europeus assinaram um manifesto de apoio a Gabriel Boric, o candidato presidencial de esquerda no Chile. A escolha será entre o ex-líder estudantil e atual deputado, de 35 anos de idade, e o advogado José Kast de extrema-direita.

O manifesto “Europa com Boric: por um futuro democrático e social para o Chile” começa por dizer que “a comunidade democrática internacional observa e apoia com entusiasmo e esperança o processo social e político que está a acontecer no Chile”, manifestando “respeito e admiração” face às “massivas mobilizações sociais do povo chileno que exigem maior justiça e inclusão e uma superação definitiva do legado da ditadura de Pinochet”. A eleição de uma Assembleia Constituinte que conta com paridade, participação dos povos originários e de cidadãos independentes também é saudada.

Para os signatários, “a luta política que acontece no Chile é também a luta de todas e todos os europeus por um mundo mais democrático, inclusivo e sustentável”. Pensam que tanto no Chile como na Europa “a democracia, os direitos e liberdades se encontram seriamente ameaçados devido ao ressurgimento de líderes e movimentos de extrema-direita com tentações autoritárias”. Exemplificam com Trump que “produziu a mais grave crise democrática e institucional” da história dos EUA, com Bolsonaro que “ataca as instituições democráticas e promove discursos de ódio” e com o fujimorismo no Peru que “deixou graves sequelas que ainda perduram na sociedade”.

Em vários países da América Latina, a ascensão da extrema-direita veio acompanhada com a “normalização do pior: as desigualdades económicas, sociais e territoriais; o abuso de poder e da força; a violência contra a mulher e diversidade sexual; a impunidade face à violação de direitos; ou a criminalização dos imigrantes.” Ao que se somam “posturas negacionistas sobre as alterações climáticas, a oposição à vacinação contra a Covid-19 e “um ataque frontal ao multilateralismo”.

Para estas figuras de diferentes áreas políticas, o que está em jogo nas eleições de 19 de dezembro “é a possibilidade de avançar para um verdadeiro Estado social e democrático de direito” e “o perigo real de uma involução”. Perante isto, afirmam: “não podemos ser, nem somos, indiferentes ou neutrais” e assumem o dever de se manifestar “a favor da democracia e da liberdade face aos autoritarismo e à desigualdade”.

O “não à normalização das políticas de extrema-direita” concretiza-se assim num “apelo à comunidade democrática internacional para apoiar sem fissuras” a candidatura de Boric, “a única opção que pode fazer avançar o país para o caminho de um crescimento sustentável e de acordo com os valores do humanismo, da democracia e dos direitos humanos”.

A lista de signatários é alargada. De Portugal, para além de Francisco Louçã e de Boaventura Sousa Santos, também Ana Gomes e os eurodeputados Marisa Matias, José Gusmão e Maria Manuel Leitão Marques assinam.

Juntam-se-lhes nomes como o economista Thomas Piketty, a jornalista e presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris, José Luis Zapatero, ex-primeiro-ministro espanhol, Enrico Letta, ex-primeiro-ministro italiano, Joaquín Almonia, ex-vice-presidente da Comissão Europeia, Iratxe García Pérez, presidente do grupo dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, Martin Schirdewan e Manon Aubry, copresidentes do grupo da Esquerda no Parlamento Europeu e Ernest Urtasun Domenech, vice-presidente do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu.

De Espanha há dezenas de assinaturas do mundo da cultura, como o escritor Manuel Rivas, o escritor e jornalista Joaquín Estefanía, o artista Marcelo Expósito e o investigador Daniel Innerarity, ao mundo sindical, com os dois secretários gerais das maiores federações sindicais, Pepe Álvarez da UGT e Unai Sordo das Comissiones Obreras, além de vários deputados e dirigentes políticos nacionais e regionais.

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