Centenas de estudantes manifestaram-se esta terça-feira entre o Rossio e a Assembleia da República. Às palavras de ordem "A propina é para acabar, não é para aumentar" e “Bolsas sim, propinas não”, juntou-se também o cântico “Faça sol ou a chover, a luta vai acontecer”, mais apropriado à forte chuvada que acompanhou o percurso até à frente do Parlamento, onde foram saudados por deputados como a coordenadora bloquista Mariana Mortágua.
Vindos do Porto, Coimbra, Évora, Aveiro e outras localidades, os estudantes do ensino superior voltaram a protestar contra as barreiras financeiras que encontram para a sua frequência e que o Governo pretende agravar agora ao reverter a política de descongelamento e redução do preço das propinas que vigorava desde 2016.
Ensino Superior
Estudantes endividados: mais de 36 milhões de euros em propinas atrasadas
Margarida, estudante em Aveiro, queixou-se à SIC do “péssimo” sistema de transportes e das “poucas residências públicas”. “Não temos apoios e querem ainda por cima aumentar a propina em vez de abolir. O ministro da Educação diz que a propina é o menos, mas não é o menos! Somado às despesas com habitação e transportes é impossível”, resume esta estudante que vive em Lamego, antes de dar o exemplo de Aveiro, em que “os estudantes devem 2,8 milhões de euros à universidade. Porque será? Se não formos nós, ninguém vai lutar por nós”, desabafa.
As mesmas dificuldades foram relatadas à CNN Portugal por um estudante de som e imagem na ESAD das Caldas da Rainha. “É importante esta luta porque todos nós conhecemos um ou dois amigos que não foram para a universidade porque não conseguem pagar, ou que estão á rasca para pagar um quarto que custa 400 euros, que não conseguem comprar o material que precisam para a cadeira, que não têm transportes para ir para a sua faculdade. Estamos aqui porque todos nós sentimos o peso que é a propina e todos os outros encargos do ensino superior que nos metem nos ombros. Na ESAD, era suposto haver já três residências abertas, mas só há uma com 100 quartos para 1600 estudantes. É incomportável”.
Outro estudante, desta vez de Lisboa, disse que arrenda um quarto por 500 euros, mas sem contrato. A essa despesa mensal soma 300 euros de alimentação e deslocações. “Felizmente os meus pais podem sustentar isso, mas eu estou cá não só por mim mas principalmente por aqueles que não conseguem” e por defender “um ensino de qualidade e gratuito, porque isso é um investimento e não uma despesa. Termos um bom ensino e gratuito faz com que os jovens se queiram fixar cá em vez de saírem do país”, afirmou.
Por seu lado, Carolina Ferreira, da associação de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse à agência Lusa que as promessas do ministro para reforçar a ação social escolar não são suficientes. “Há muitos estudantes do ensino superior que não são abrangidos pela ação social, os serviços são muito insuficientes até para os estudantes que têm bolsas. Ouvir meras promessas de que a ação social vai aumentar e que vai ficar tudo bem não nos descansa de todo”, afirmou a dirigente associativa.