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Eurodeputadas denunciam influência do lóbi poluente nas decisões europeias

Marisa Matias, Cornelia Ernst e Sira Rego afirmam que a política ambiental europeia está a ser sequestrada pela indústria dos combustíveis fósseis.
Marisa Matias, Cornelia Ernst e Sira Rego. Fotos The Left/Flickr

“Ursula von der Leyen, Frans Timmermans e Kadri Simson podem ser as caras do Green Deal europeu, mas são as grandes empresas que conduzem a sua política de energia”, acusam as três eurodeputadas do grupo parlamentar da Esquerda. Nos últimos meses, elas têm protagonizado a campanha “Power to the People”, reclamando mudanças na política energética no sentido de substituir definitivamente a dependência dos combustíveis fósseis por um investimento reforçado nas energias renováveis.

Para Marisa Matias, Cornelia Ernst e Sira Rego, “a União Europeia tem a oportunidade de abandonar o gás russo em 2025 sem o substituir por outro combustível fóssil, mas no entanto escolhe o caminho oposto: criar ainda maior dependência do gás”, escrevem num artigo publicado esta segunda-feira no EU Observer.

“Isto é como pedir à Marlboro conselhos para combater a adição ao tabaco"

As eurodeputadas questionam como a UE pôde descer tão baixo na falta de respeito pelos direitos humanos, ao verem a Comissão e alguns estados membros a negociar com os governantes israelitas e egípcios o fornecimento de energia. Por outro lado, citam dados dos observatórios pela transparência que afirmam que a Comissão Europeia reuniu praticamente todos os dias úteis com os lóbis das indústrias poluentes desde que tomou posse em 2019.

“Isto é como pedir à Marlboro conselhos para combater a adição ao tabaco, simplesmente não faz sentido”, apontam.

Além de apelarem ao plenário do Parlamento Europeu que confirme em julho o chumbo à proposta que passaria a classificar o investimento em novas infraestruturas de gás e nuclear como investimento “verde”, as eurodeputadas defendem a transformação do sistema energético europeu, no sentido do abandono dos combustíveis fósseis e no reforço do investimento em energias renováveis. Pequenas mudanças no atual sistema não irão resolver nada, insistem, pois “o objetivo não pode ser salvaguardar as obscenas margens de lucro e o poder das grandes energéticas”.

E em vez de pedir conselhos à indústria poluente, propõem que a União Europeia “abra as reuniões e os ouvidos às centenas de comunidades, investigadores e ativistas que têm vindo a propor soluções sustentáveis para nós e para o nosso planeta nas próximas décadas”.

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