Num memorando dirigido aos altos responsáveis do aparelho de estado do país, intitulado “Retirada dos Estados Unidos de organizações internacionais, convenções e tratados que sejam contrários aos interesses dos Estados Unidos”, Donald Trump deu instruções para as suas agências darem “passos imediatos” para a saída do país de 66 organismos multilaterais. Nos 31 casos em que abandona entidades das Nações Unidas, isso significa “deixar de participar ou financiar na medida em que a lei o permita”.
Entre os organismos da ONU que passam a contar com a ausência dos Estados Unidos estão o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Conselho Económico e Social da ONU (ECOSOC), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), a Comissão de Direitos Humanos, a Aliança das Civilizações e muitas outras.
”Esta é uma decisão míope, embaraçosa e insensata”, disse ao Guardian a antiga assessora climática da anterior administração Biden, Gina McCarthy. “Como único país do mundo que não faz parte do tratado da UNFCCC, a administração Trump está a desperdiçar décadas de liderança dos EUA em matéria de alterações climáticas e colaboração global. Esta administração está a comprometer a capacidade do nosso país de influenciar biliões de dólares em investimentos, políticas e decisões que iriam impulsionar a nossa economia e proteger-nos de desastres dispendiosos que causam estragos no nosso país”, refere a ex-conselheira de Joe Biden.
O anúncio da Casa Branca também foi mal recebido em Pequim. esta quinta-feira, a a porta-voz da diplomacia chinesa criticou a deriva unilateral de Washington e disse aos jornalistas “só com o funcionamento eficaz do sistema multilateral se pode impedir a propagação da lei da selva e evitar que a ordem internacional seja dominada pela lógica de que ‘a força faz a justiça’”.
Mao Ning acrescentou que estes organismos não existem para atender aos interesses das grandes potências mas para proteger os Estados menores e a ordem internacional baseada em regras. “A China defende o multilateralismo e a ONU em seu papel fundamental nos assuntos internacionais”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, concluindo que “a comunidade internacional deve agir para impedir que Washington se torne o ‘xerife do mundo’ e evitar uma invasão à Venezuela”.