EUA: GM também cede e entra em acordo com o sindicato

01 de novembro 2023 - 16:18

Depois de seis semanas de greve histórica, os três grandes do setor automóvel norte-americano assinaram acordos com o United Auto Workers que preveem aumentos salariais e outras conquistas. O presidente do sindicato diz que com isto se “inverteu a tendência para a classe trabalhadora deste país” e que a luta só está no início.

PARTILHAR
Shawn Fain, presidente do United Auto Workers.
Shawn Fain, presidente do United Auto Workers.

Com a Stellantis e a Ford a terem aceite um pré-acordo com o sindicato United Auto Workers, a General Motors apresentava-se como o último dos três grandes fabricantes de automóveis de Detroit a recusar aceitar algumas das reivindicações dos trabalhadores. O sindicato acabou por subir a parada este fim de semana e decidiu a entrada no movimento grevista de uma fábrica chave para a empresa, a de Spring Hill, no Tennesse, e esta segunda-feira obteve os resultados desejados: foi anunciado um pré-acordo entre as partes depois de uma maratona negocial que se arrastou pela madrugada.

Os três acordos precisam de ser votados pelos trabalhadores antes de serem efetivos. Mas a serem aprovados porão termo a um movimento grevista histórico de mais de seis semanas de greve que enfrentou ao mesmo tempo os três gigantes do setor automóvel dos Estados Unidos.

O acordo, de que ainda não são conhecidos todos os detalhes, prevê pelo menos um aumento salarial de base de 25% ao longo dos próximos quatro anos em que estará vigente o contrato coletivo de trabalho, a que se juntam aumento relativos ao custo de vida, a contrastar com um aumento de 23% nos últimos vinte anos. Há ainda um aumento salarial para os trabalhadores a tempo parcial de 70% à sua entrada na empresa, a efetivação de todos os trabalhadores temporários com pelo menos 90 dias de trabalho, o que lhes valerá aumentos salariais imediatos entre 51% e 115%, o fim da discriminação salarial e melhorias no sistema de pensões.

O presidente norte-americano Joe Biden, que se tornou o primeiro presidente em exercício a visitar um piquete de greve quando esteve frente a uma fábrica da GM no final de setembro, saudou o entendimento, considerando-o “formidável” e “histórico”, porque “recompensa os trabalhadores da indústria automóvel que fizeram muitos sacrifícios para manter o setor a funcionar”.

Shaw Fain, o presidente do UAW, salienta o carácter sem precedentes do sucedido, já que o acordo terá “obtido coisas que ninguém pensava possíveis”, o que faz com “se esteja em vias de inverter a tendência para a classe trabalhadora deste país”. Assim, a greve terá “mostrado às empresas, ao público americano e a todo o mundo que a classe trabalhadora não deixou de lutar. De facto estamos apenas a começar”.

Com os olhos postos já no futuro, o dirigente sindical procura não só um reforço da sindicalização como também “quando voltarmos à mesa das negociações em 2028” que o movimento não seja “só com os três grandes mas com os cinco os seis grandes” fabricantes de automóveis. Na mira do processo de sindicalização passa a estar a Tesla, o maior fabricante de veículos elétricos, assim como várias fábricas de automóveis de outras empresas estrangeiras.