EUA anunciam sanções à relatora da ONU que denunciou genocídio em Gaza

10 de julho 2025 - 12:31

A administração Trump não conseguiu evitar a recondução de Francesca Albanese no cargo de relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinianos ocupados. Agora pôs a defensora dos direitos humanos na sua lista de sanções.

PARTILHAR
Francesca Albanese
Francesca Albanese no Paramento português em outubro de 2024. Foto de Rafael Medeiros

O Departamento de Estado dos EUA anunciou a imposição de sanções a Francesca Albanese, a relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinianos ocupados que nos últimos dois anos tem denunciado as violações dos direitos humanos e crimes de guerra por parte de Israel em Gaza e na Cisjordânia. Albanese foi recentemente reconduzida no cargo, com a oposição dos EUA, e publicou um novo relatório intitulado “Da economia da ocupação à economia do genocídio”, onde detalha os interesses económicos que se movem em torno do apartheid israelita.

No comunicado assinado pelo chefe da diplomacia estadunidense Marco Rubio, é dito que as sanções a Francesca Albanese se inserem no decreto de Donald Trump para impor sanções a responsáveis do Tribunal Penal Internacional. “Albanese envolveu-se diretamente com o TPI nas suas tentativas de investigar, prender, deter ou acusar cidadãos dos EUA ou Israel, sem o consentimento desses dois países” que não subscreveram o Tratado de Roma e consideram a ação do Tribunal uma “interferência grave” na sua soberania.

“Albanese tem proferido um antissemitismo descarado, manifestado apoio ao terrorismo e desprezo declarado pelos Estados Unidos, Israel e o Ocidente. Essa parcialidade tem sido evidente ao longo da sua carreira, incluindo a recomendação de que o TPI, sem uma base legítima, emita mandados de captura contra o Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu e o antigo Ministro da Defesa Yoav Gallant”, prossegue o comunicado.

A administração Trump refere ainda uma “escalada recente” das ações da relatora da ONU por ter escrito “cartas ameaçadoras” dirigidas a empresas do setor financeiro, tecnológico, militar e energético com “acusações infundadas” e por ter recomendado ao TPI que as investigue por cumplicidade com o genocídio em Gaza. O comunicado não descreve a forma de concretização das sanções anunciadas.

Na quarta-feira à noite, sem se referir diretamente ao anúncio destas sanções, Francesca Albanese escreveu na rede social X que “hoje mais do que nunca: Estou firme e convictamente do lado da justiça, como sempre fiz. Venho de um país com uma tradição de ilustres juristas, advogados talentosos e juízes corajosos que defenderam a justiça a grande custo e muitas vezes com a própria vida. Tenciono honrar essa tradição“.

Numa curta declaração enviada à Al Jazeera, Albanese escreveu que “não comento as técnicas de intimidação ao estilo da máfia”, acrescentando que “estou ocupada a recordar aos Estados membros as suas obrigações de impedir e punir o genocídio. E aqueles que lucram com ele".