Uma das medidas emblemáticas do chamado “plano de emergência” para a Saúde do governo PSD/CDS era a aposta nos modelos USF-C, as unidades de saúde familiar geridas por empresas do setor privado ou social. Em 2024 foi anunciado o lançamento de 20 destas USF-C, mas para já tardam em sair do papel. Segundo o jornal Público, apenas duas deverão entrar em funcionamento este ano e as convenções com especialistas em medicina geral e familiar privados ainda nem começaram.
O Público avança que o Governo acaba de cortar a um sexto a meta de cobertura da população por médicos de família através destas USF-C. Se há um ano a promessa era cobrir 360 mil utentes, a meta para 2029 foi agora cortada para apenas 60 mil utentes.
O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes tem uma empresa a concorrer à USF-C do Lumiar e está a contestar judicialmente o concurso, pedindo a sua anulação e invocando regras “ilegais e desproporcionadas”. António Alvim diz que o corte no objetivo do Governo para 60 mil utentes corresponde a cerca de seis USF-C em 2029, longe das 20 anunciadas por Ana Paula Martins há dois anos.
Para o médico e dirigente bloquista Bruno Maia, o corte no objetivo do Governo é a prova de que “começam mal as PPP nos centros de saúde, tal como começaram, duraram e acabaram mal as PPP nos hospitais”.
Bruno Maia diz que “insistir num modelo falhado é um absurdo, agravado pelo facto de já existir um modelo que provou ser eficaz: as USF modelo B”.
“Este governo e este ministério vivem sob o dogma liberal que tudo o que é privado é bom e os resultados estão à vista: menos consultas e menos cirurgias no início do ano; e agora ficamos a saber que mais umas centenas de milhares vão continuar sem médico de família”, concluiu o dirigente do Bloco de Esquerda.