Num vídeo entregue à BBC e ao diário basco “Gara”, A ETA anuncia que “há alguns meses tomou a decisão de não levar a cabo acções armadas ofensivas”.
No comunicado lido em basco na gravação em vídeo, é dito que a decisão visa “pôr em marcha um processo democrático” (Texto integral do comunicado da ETA em espanhol, disponível no site do jornal catalão "La Vanguardia”) e apela-se a que os “agentes” e cidadãos bascos respondam com “responsabilidade”.
No País Basco, o responsável pela pasta do interior do governo basco, Rodolfo Ares do PSOE, considerou que o comunicado é “insuficiente” e criticou a ETA por não referir se o cessar-fogo é definitivo. O PNV considera-o igualmente insuficiente. O Eusko Alkartasuna diz que é uma notícia esperada e “encorajadora”, enquanto a esquerda abertzale valorizou a decisão da ETA, considerando que abre uma nova étapa política. O PP diz todas as tréguas da ETA “terminaram sempre” de forma “muito má para a sociedade espanhola, enquanto a presidente da Associação das Vítimas do Terrorismo, Ángeles Pedraza, diz que não aceitam a trégua, porque “não acreditam em assassinos”. O porta-voz da Esquerda Unida de Espanha, Gaspar Llamazares disse também que o cessar-fogo é “insuficiente” e exigiu que a ETA termine a luta armada.
Gerry Adams do Sinn Fein congratulou-se pelo anúncio da ETA, numa declaração divulgada na televisão irlandesa.
O site “Libertad Digital” sugere a existência de negociações secretas entre o governo de Espanha e a ETA, mediados por sectores políticos da sociedade basca e meios internacionais. O site informa que Mayor Oreja, antigo ministro do Interior do governo Aznar e actualmente eurodeputado do PP, forçou a direcção política do PP a debater a política anti-terrorista do governo Zapatero, na última reunião. O site anuncia também que dezenas de cargos públicos bascos e navarros vão deixar de ter escolta, ou a mesma será reduzida, a partir da próxima segunda feira.
Nos últimos meses, a esquerda basca tem vindo a ter um importante processo de negociações, que passou nomeadamente pelo acordo entre o Eusko Alkartasuna e o Batasuna, constituindo um chamado Pólo Soberanista. As duas organizações apelaram em Junho passado a que a força política Aralar se integre no processo. Estes acordos passaram pela elaboração de um documento, refere este domingo o jornal “El Pais”, no qual se fixam as condições para abordar um processo para o fim da violência, que inclua um cessar-fogo permanente da ETA, com “verificação internacional”. Outros pontos para esse processo apontam para a aprovação dos princípios que foram estabelecidos para o processo de paz na Irlanda do Norte (“princípios Mitchell”), a renúncia à violência e o desarmamento total, assim como a alteração da lei de partidos e o cancelamento dos processos judiciais contra organizações da esquerda abertzale.