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Estudo alerta para “injustiça climática” no Porto

“Às zonas da cidade onde as populações enfrentam maior privação socioeconómica (...) estão associados espaços verdes com menor potencial de serviço de ecossistema, ou seja, menor qualidade”, assinala o investigador Diogo Guedes Vidal.
Foto de Manuel de Sousa, Wikimedia.

O sociólogo com um doutoramento em Ecologia e Saúde Ambiental, citado pelo jornal Público, refere que “há um descompasso. Os benefícios são distribuídos de forma injusta”. Essa é a conclusão a que chegou no âmbito da investigação para a sua tese de doutoramento, defendida na Universidade Fernando Pessoa em Julho e já publicada em três revistas internacionais: “Além do Verde: jardins e parques urbanos na resposta aos desafios socioambientais contemporâneos. Estudo de caso da cidade do Porto”.

De acordo com Diogo Guedes Vidal, a saúde ambiental das cidades “tem descurado fenómenos sociais muito complexos, como os de desigualdades estruturais”, o que agrava injustiças.

O jornal diário explica que o sociólogo analisou as características de 25 jardins e parques urbanos do Porto, recorrendo a visitas presenciais, bem como avaliou, mediante a aplicação de inquéritos, a perceção de 131 utilizadores destes espaços, o que lhe permitiu criar um mapeamento do comportamento de 979 pessoas.

“Com uma técnica pouco explorada mas muito interessante, que observa as pessoas num local e espacializa o seu comportamento”, Diogo Guedes Vidal verificou de que maneiras as características do espaço condicionam a sua utilização e qual a sua relação com a envolvente socioeconómica. Para o efeito, teve como base o Índice de Privação Socioeconómico e Ambiental traçado por um investigador em 2013, que dividiu a cidade em cinco clusters de privação, oscilando entre privação muito baixa e privação muito alta.

Na sua conclusão é perentório: “Às zonas da cidade onde as populações enfrentam maior privação socioeconómica – onde há menos recursos económicos, mais desemprego, menos escolaridade e também mais idosos –, estão associados espaços verdes com menor potencial de serviço de ecossistema, ou seja, menor qualidade”.

E esta injustiça ambiental não passa despercebida aos olhos dos próprios utilizadores: “Avaliaram sempre pior os espaços verdes localizados em zonas de maior privação. Existe uma injustiça ambiental efetiva e ela também é percecionada pelos utilizadores”, aponta o investigador.

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