O sociólogo com um doutoramento em Ecologia e Saúde Ambiental, citado pelo jornal Público, refere que “há um descompasso. Os benefícios são distribuídos de forma injusta”. Essa é a conclusão a que chegou no âmbito da investigação para a sua tese de doutoramento, defendida na Universidade Fernando Pessoa em Julho e já publicada em três revistas internacionais: “Além do Verde: jardins e parques urbanos na resposta aos desafios socioambientais contemporâneos. Estudo de caso da cidade do Porto”.
De acordo com Diogo Guedes Vidal, a saúde ambiental das cidades “tem descurado fenómenos sociais muito complexos, como os de desigualdades estruturais”, o que agrava injustiças.
O jornal diário explica que o sociólogo analisou as características de 25 jardins e parques urbanos do Porto, recorrendo a visitas presenciais, bem como avaliou, mediante a aplicação de inquéritos, a perceção de 131 utilizadores destes espaços, o que lhe permitiu criar um mapeamento do comportamento de 979 pessoas.
“Com uma técnica pouco explorada mas muito interessante, que observa as pessoas num local e espacializa o seu comportamento”, Diogo Guedes Vidal verificou de que maneiras as características do espaço condicionam a sua utilização e qual a sua relação com a envolvente socioeconómica. Para o efeito, teve como base o Índice de Privação Socioeconómico e Ambiental traçado por um investigador em 2013, que dividiu a cidade em cinco clusters de privação, oscilando entre privação muito baixa e privação muito alta.
Na sua conclusão é perentório: “Às zonas da cidade onde as populações enfrentam maior privação socioeconómica – onde há menos recursos económicos, mais desemprego, menos escolaridade e também mais idosos –, estão associados espaços verdes com menor potencial de serviço de ecossistema, ou seja, menor qualidade”.
E esta injustiça ambiental não passa despercebida aos olhos dos próprios utilizadores: “Avaliaram sempre pior os espaços verdes localizados em zonas de maior privação. Existe uma injustiça ambiental efetiva e ela também é percecionada pelos utilizadores”, aponta o investigador.