Esta quinta-feira, estudantes da Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha manifestaram-se em frente a residência universitária Rafael Bordalo Pinheiro, gritando palavras de ordem como “ação social não existe em Portugal” e “temos direito à residência, da nossa parte não há cedência”. Mostraram assim a sua preocupação com o anúncio do encerramento destas instalações que alojam cerca de 80 alunas.
Os estudantes dizem que foram confrontados com “o encerramento iminente” da residência e exigem alojamentos alternativos até ao final do ano letivo.
Fizeram saber ainda que está a correr um abaixo-assinado, dirigido ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e aos Serviços da Ação Social do IPL, no qual se critica a falta de resposta institucional sobre a data em que que a residência fecha. Os estudantes afirmam que isto os faz viver “numa instabilidade tremenda”.
Nesse texto, consideram que “as obras e uma intervenção na residência possam ser necessárias”. Mas defendem que estas não podem ser feitas “sem serem dadas alternativas de alojamento estudantil público aos residentes” e sem que “todo o processo seja devidamente descrito aos estudantes com transparência”.
Com a situação atual da crise da habitação que o país enfrenta, “os complementos de alojamento e deslocação” que irão receber por causa do encerramento da residência “não chegam”.
Das suas exigências fazem parte “um calendário específico das datas de encerramento e abertura da residência a ser fornecido com a máxima urgência a todos os residentes; o aumento do valor dos complementos de alojamento e deslocação e o alargamento a todos os estudantes”. Isto para além do “cumprimento do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior e das suas metas”. Neste âmbito está prevista a construção de uma nova Residência das Caldas da Rainha, mas esta ainda não começou.
A Lusa falou com Violeta Gregório, aluna do 1.º ano da ESAD, que concretiza: a residência Rafael Bordalo Pinheiro “vai ser encerrada em janeiro, a meio do ano letivo”, sem que haja “uma explicação, uma razão concreta, um calendário concreto, sequer um dia específico do encerramento da residência ou uma data de reabertura”. Para quem como ela vem do Porto, fica “em causa a continuidade dos alunos deslocados nos cursos, por falta de alternativas de alojamento, nesta altura do ano”. Já o complemento de alojamento que vai ser pago aos bolseiros “fica aquém do preço praticado nos alojamentos privados”, impossibilitando os estudantes de conseguir novo alojamento temporário.
Por sua vez, o Instituto Politécnico de Leiria, ao qual a ESAD-CR pertence, deu nota à agência noticiosa nacional de que “todos os estudantes colocados na Residência Rafael Bordalo Pinheiro foram antecipadamente informados de que só seria possível assegurar o alojamento naquela residência durante o 1.º Semestre de 2023/2024” na altura da candidatura e que as obras vão decorrer durante o 2.º semestre do ano letivo. Garante ainda que está “a desenvolver várias diligências no sentido de encontrar alternativas de alojamento para os estudantes que atualmente se encontram na referida residência”.