No “Dia Nacional de Indignação, Protesto e Luta” convocado pela CGTP realizaram-se greves e concentrações um pouco por todo o país. Em Lisboa, a "Praça da Indignação" atraiu milhares de pessoas ao Largo Camões.
Presente neste protesto, a coordenadora do Bloco de Esquerda disse aos jornalistas que "é normal que a mobilização social aumente", pois as pessoas sentem que neste ciclo de inflação "há uma especulação em que alguns estão a ganhar muito para quase todos perderem tanto".
"O Governo tem dito que está tudo bem, todos os dias vemos grandes anúncios dos fundos que vão chegar e da economia que está a crescer. Mas quem vive do seu trabalho tem cada vez mais difculdades todos os dias" e por isso "estas lutas são por justiça no nosso país", prosseguiu Catarina Martins.
"Quem está a aqui a manifestar-se está aqui porque não consegue uma casa que possa pagar, porque vai ao supermercado e a alimentação aumentou 20% enquanto o salário mantém-se estagnado. Porque não aguenta mais chegar ao fim do mês com os salário parado quando todos os preços aumentam", apontou Catarina, voltando a defender medidas como o controlo de preços dos bens essenciais e a valorização de salários e pensões.
"A democracia não é só o voto de quatro em quatro anos, é a capacidade reivindicativa. É isso que está a fazer a CGTP e temos visto uma multipicação de movimentos, isso é uma democracia viva e forte. As pessoas dizem: "se está tudo bem, porque é que estamos a viver pior?"", enquanto veem as empresas "a apresentar lucros recorde e a distrbuir dividendos quando não aumentam os salários".
Catarina Martins afirmou ainda que "os grandes grupos económicos estão a assaltar o país" e que "nunca quem trabalha perdeu tanto poder de compra como agora desde o tempo da troika". E acusou a direita de não ter "nenhuma resposta a dar a estas pessoas", seja para baixar o preço da habitação, seja para controlar os preços.
CGTP faz balanço "muito positivo" do dia nacional de protesto
A meio do dia de protesto, a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, fez um balanço "muito positivo" desta resposta dos trabalhadores à “degradação das condições de vida” em Portugal.
“Todos os setores (…) exigem às empresas e ao Governo aquilo que é seu por direito, que é ter uma vida digna, acabar com esta redução do seu poder de compra brutal, que significa a inflação e os custos gerais que nem cabem nos valores que são apontados para inflação, como é o caso da habitação, em que todos os trabalhadores, reformados e pensionistas estão a empobrecer”, afirmou Isabel Camarinha em declarações à Lusa, à margem de um protesto dos profissionais de saúde dos hospitais de Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Loures junto ao Ministério da Saúde.
A defesa do aumento geral dos salários foi a nota dominante das ações de protesto desta quinta-feira, com a líder da CGTP a afirmar ser urgente concretizar aumentos de 10% e “100 euros de mínimo de aumento para todos os trabalhadores com 850 euros, no imediato, porque é necessário valorizar as carreiras das profissões, (…) seja no setor público, seja no setor privado”.