Segundo o Diário de Notícias, os comboios da Takargo, uma empresa do grupo Mota-Engil que é presidido pelo antigo ministro e ex-dirigente do PS Jorge Coelho, abastecem-se todos os meses com um milhão de litros de gasóleo verde, em Vilar Formoso. Como o gasóleo verde é 20 cêntimos mais barato, beneficiando de isenção do ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos), o Estado terá perdido 200 mil euros por mês, 2,4 milhões de euros em 2010, de receitas fiscais não cobradas. O caso foi denunciado pela Associação Nacional de Transportadores Rodoviários (ANTR).
A Takargo foi criada em 2006 e passou a operar no transporte ferroviário de mercadorias em 2008. Nesse ano, o Governo, através da Portaria 117/A de Fevereiro de 2008, estendeu o uso do gasóleo verde ao transporte ferroviário.
Miguel Lisboa, director da Takargo, justifica-se, dizendo que "aquilo que a Takargo fez foi utilizar aquilo que a lei permite e que está regulamentado. Todo o nosso processo seguiu todos os formalismos impostos pela portaria de 2008". O ministro da Agricultura disse à TSF que a denúncia “não tem qualquer justificação”, acrescentando que a utilização do gasóleo verde no meio ferroviário foi atribuída à CP, ao Metro de Mirandela e à Takargo. António Serrano acrescentou ainda que se pode questionar “ se faz sentido fazer para esse [meio de transporte] e não para a rodovia, mas isso é outra matéria”, sublinhando que foi “uma opção do governo da altura”. No entanto, apesar das declarações de António Serrano, o ministério da Agricultura anunciou que vai abrir um inquérito à utilização do gasóleo verde pela Takargo. Tanto o ministério das Finanças como o ministério das Obras Públicas, apesar de instados pelo “DN”, não se pronunciaram sobre este caso.
António Lóio, presidente da ANTR, diz que "os portugueses pagam dos seus impostos a operação de uma empresa privada que faz concorrência directa às empresas rodoviárias" e acrescenta que a empresa do grupo Mota-Engil "está a obter lucros através de um buraco na lei e utilizando infra-estruturas públicas".
Outra empresa do grupo Mota-Engil, a Liscont está a exigir ao Estado uma indemnização por ter sido anulada a prorrogação até 2042 da concessão do terminal de contentores de Alcântara. Não se sabe qual o montante que a Liscont pede, mas a comunicação social chegou a divulgar valores entre 100 e 150 milhões de euros. Segundo o jornal “Público” deste sábado, o administrador da Liscont disse que a empresa terá gasto até agora 17 ou 18 milhões de euros, em demolições de antigos armazéns, projectos, estudos e encomendas de equipamentos.
Num comentário publicado no facebook, Francisco Louçã sublinha: “Aqui têm uma empresa que sabemos que ganhou com o Orçamento do ano que termina agora”.