Esta quinta-feira reivindica-se visibilidade, dignidade e autonomia para as pessoas trans

31 de março 2022 - 17:04

Iniciativas em Lisboa, com início na Praça Luís de Camões, pelas 19h, e Porto, pelas 18h, na Praça D. João I, assinalam o Dia da Visibilidade Trans. Gil Ubaldo falou com o Esquerda.net sobre as razões que levam novamente coletivos e ativistas a sair à rua.

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Pelas 19h, em Lisboa, terá início uma manifestação na Praça Luís de Camões, que terminará na Praça da Figueira com uma concentração final. A iniciativa contará com atuações finais, assim como com um microfone e palco aberto. Esta manifestação é organizada pela Ação pela Identidade, Casa T, Projeto Anémona, Rede Exaequo e Transmissão.

Pelas 18h, no Porto, na Praça D. João I, decorrerá uma concentração. Esta ação é autonomamente organizada por vários membros da comunidade trans, com total apoio dos coletivos acima referidos. Porque “a luta é urgente”, as organizações e ativistas que convocam as iniciativas apelam à participação de todas as pessoas.

Gil Ubaldo, que integra a organização da iniciativa em Lisboa, explicou ao Esquerda.net que, já no dia 20 de novembro, Dia da Memória Trans, “várias organizações se juntaram para assinalar esse dia em conjunto, por forma a fortalecer o movimento e combater o isolamento dentro da comunidade trans”.

“E achámos que era completamente necessário voltar a fazê-lo no Dia da Visibilidade Trans”, continuou.

Sobre as razões que levam novamente estes coletivos e ativistas a sair à rua, a resposta é simples: “ainda temos pela frente muitas conquistas por fazer, é uma luta pelo direito à vida e pela direito à sobrevivência”.

“A comunidade trans, na comunidade e no mundo, sofre enormes violências em todas as áreas da vida: desde a violência direta nas ruas, ou em casa, ou nas escolas, ou até mesmo pelas forças policiais, até todas as violências estruturais que nos empurram para a precariedade, para a pobreza, e para a exposição à violência”, frisou Gil Ubaldo.

E as consequências são inegáveis: “Todas as vidas que são expostas a estas condições ficam condenadas à marginalidade e à violência que nos acompanha quotidianamente. E quando falamos em trans migrantes ou racializadas ainda se acrescentam outros graus, que se tornam quase insuperáveis, de violência de exclusão, de marginalização e de exposição a ainda mais violências”.

Porquê a palavra “visibilidade”?: “Visibilidade significa que nos queremos afirmar, que somos sujeitos da história, não somos objetos, fetiches, o entretenimento dos outros. Somos pessoas que querem contar as suas histórias, viver as suas vidas, que querem ter autonomia, dignidade e segurança. Visibilidade é denunciar todos os problemas que enfrentamos e combatê-los”.