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Especialistas defendem integração de vestígios muçulmanos na Sé de Lisboa

De acordo com o Conselho Nacional de Cultura, estes vestígios devem ser integrados na Sé de Lisboa, sendo necessárias alterações ao projeto de recuperação e valorização do monumento.
Sé de Lisboa.
Sé de Lisboa. Fotografia de Kotomi Creations/Flickr.

O Conselho Nacional de Cultura (CNC) defendeu a integração dos vestígios muçulmanos na Sé de Lisboa e solicitou alterações ao projeto de recuperação e valorização do monumento, segundo a informação divulgada pela agência Lusa.

No passado dia 13 de janeiro, a Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico (SPAA) do CNC reuniu com um conjunto de especialistas a respeito das ruínas descobertas na zona sul do claustro da Sé de Lisboa. Em comunicado, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) fez saber que a reunião concluiu que, mesmo "que não exista evidência de que tais vestígios correspondam à mesquita aljama de Lisboa”, estes são relevantes e devem ser salvaguardados.

Entre os especialistas escutados pela SPAA, constam Felix Arnold, do Instituto Arqueológico Alemão, a arqueóloga Rosa Varela Gomes, o investigador Santiago Macias e o arquiteto Mário Varela Gomes, da Universidade Nova de Lisboa, e representantes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS). E a opinião foi unânime: "todos os peritos recomendam a salvaguarda" dos vestígios.

Do ponto de vista da "segurança estrutural solicitada, concluiu o LNEC que se impõe a finalização urgente da estrutura projetada, de forma a garantir a necessária estabilidade e integridade da Sé de Lisboa e das ruínas, conjunto que na situação atual se encontra em risco, apresentando uma vulnerabilidade sísmica excessiva".

A SPAA vai "solicitar à equipa projetista a alteração do projeto com vista à integração das estruturas arqueológicas em causa, apontando para o efeito linhas orientadoras que promovam a respetiva valorização e salvaguarda”.

Em 2020, as escavações na Sé de Lisboa deixaram expostos vestígios arqueológicos que demonstravam a existência de um complexo muçulmano, algo já anteriormente sugerido por investigadores. Em causa estariam vestígios arqueológicos que diziam respeito a uma mesquita, com os banhos, escolas e um espaço dedicado aos mortos.

Em outubro do mesmo ano, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, determinou que os vestígios da antiga mesquita, referenciada como "almorávida", deviam ser mantidos no local. Em diálogo com o Patriarcado de Lisboa, entendera que aqueles vestígios deveriam ser “conservados, musealizados e integrados no projeto de recuperação e musealização da Sé Patriarcal de Lisboa”.

Em novembro, um conjunto de arqueólogos e investigadores tinham enviado um requerimento à DGPC pedindo um reforço legislativo.

No documento, os peritos realçavam a "antiguidade, autenticidade, originalidade, singularidade ou exemplaridade" daquele património de "interesse nacional", assim como o seu "valor arqueológico, histórico-simbólico, técnico-construtivo e estético" e defendiam a abertura do processo de classificação ou "ampliação de classificação", mesmo depois da determinação da ministra, no sentido da preservação e valorização das ruínas da mesquita aljama, e correspondente alteração do projeto de arquitetura.

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