Especialistas atribuem quebra da natalidade a obstáculos económicos

21 de maio 2014 - 9:34

Natalidade em decréscimo “não tem que ver com o desejo de não se ter filhos, mas com a impossibilidade de os ter”, diz uma investigadora, que invoca a “falta de rendimentos suficientes para serem pais”.

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"O que é dramático é que as pessoas querem realmente ter filhos", mas "as condições económicas não o permitem". Foto de File photo, Canwest News Service
"O que é dramático é que as pessoas querem realmente ter filhos", mas "as condições económicas não o permitem". Foto de File photo, Canwest News Service

Investigadores da Universidade de Coimbra defendem que a quebra da natalidade se deve a obstáculos económicos, rejeitando "o mito" de uma crise da família e da "questão motivacional".

"A quebra de natalidade não tem que ver com o desejo de não se ter filhos, mas com a impossibilidade de os ter", disse Graciete Borges, investigadora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra. Para a especialista, "há uma série de obstáculos para a parentalidade", entre os quais "a não conciliação da vida profissional com a familiar e a falta de rendimentos suficientes para serem pais".

"A natalidade tem vindo a descer acentuadamente e mostra que este rumo tem muito a ver com as condições de vida das pessoas".

Um estudo de Graciete Borges demonstra que 85,8% dos jovens adultos entrevistados (entre os 17 e os 37 anos) expressa o desejo de vir a ser pai ou mãe num futuro próximo, sendo o papel social futuro mais valorizado o da parentalidade (55%), acima dos 38% para a conjugalidade e 33% para o papel profissional.

"A natalidade tem vindo a descer acentuadamente e mostra que este rumo tem muito a ver com as condições de vida das pessoas", assim como com a saída de "muita gente do país em idade fértil", alertou.

É necessário inverter o modelo de desenvolvimento sócio-económico

Já a investigadora Sílvia Portugal defendeu que a quebra da fecundidade é "um sinal dado há muito tempo", sendo necessário "inverter o modelo de desenvolvimento sócio-económico".

Para a socióloga e investigadora no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, "a incerteza é a palavra que os jovens mais escolhem quando falam do seu futuro", apontou, salientando que "a incerteza é muito má para a fecundidade".

De acordo com a socióloga, as pessoas "não podem planear o futuro. E ter filhos implica planear o futuro".

"O que é dramático é que as pessoas querem realmente ter filhos", mas "as condições económicas não o permitem", observou.