“Para mim, é literalmente angustiante ver isto a acontecer por causa do grande dano que provoca às nossas capacidades de inteligência”, disse Clapper numa entrevista ao canal norte-americano NBC.
“A NSA (Agência de Segurança Nacional) já apresentou um relatório criminal sobre isto”, acrescentou.
Reportagens publicadas pelo jornal americano The Washington Post e pelo britânico The Guardian esta semana revelaram a existência do PRISM, um programa para compilar rastos deixados na internet por pessoas fora dos Estados Unidos.
Os jornais também revelaram que a NSA acedeu, desde 2006, os registos das horas e da duração dos telefonemas feitos nos Estados Unidos através da operadora Verizon e de outras empresas, como parte de uma operação de busca de dados para antecipar planos terroristas.
A vigilância eletrónica “é uma ferramenta chave continuar a manter a segurança da nação”, disse.
O Washington Post citou entre as suas fontes um agente descontente.
“Todos nos sentimos profundamente ofendidos por isto. Trata-se de alguém que, por uma ou outra razão, decidiu violar a confiança do seu país”, comentou Clapper na NBC News.
“Espero que sejamos capazes de descobrir quem fez isto, porque provoca grandes danos à segurança do nosso país”.
No sábado, Clapper criticou a imprensa pelas “revelações imprudentes” sobre os amplos programas de vigilância desenvolvidos pelo governo, sobre os quais revelou alguns detalhes.
Clapper fez uma defesa ferrenha dos programas pela sua eficácia na luta contra o terrorismo e afirmou que as atividades eram legais, além de submetidas a uma ampla supervisão dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Também afirmou entender as preocupações da opinião pública a respeito da invasão de privacidade e das liberdades civis, mas disse que “muito do que as pessoas estão a ver e a ler nos meios de comunicação está bastante exagerado”.
O debate sobre os programas “é uma arma de dois gumes porque os nossos adversários beneficiam da mesma transparência”, completou.
“Assim, enquanto nós falamos, eles vão à escola e aprendem como se faz. É por isto que pode provocar um grande dano a nossas capacidades de inteligência”.
"Intimidar os jornalistas e as suas fontes"
Entrevistado neste domingo pelo canal ABC, o jornalista Gleen Greenwald, do Guardian, um dos que revelou os programas de espionagem eletrónica, denunciou a intenção de “intimidar os jornalistas e suas fontes”.
“Cada vez que um jornal menciona algo que o governo esconde, que os dirigentes políticos não querem que as pessoas saibam, fazem o mesmo: atacam os meios de comunicação”, disse Greenwald.
“Cada vez que alguém revela ações ruins do governo, a tática consiste em demonizá-lo e apresentá-lo como traidor", disse o jornalista.
Muito severo na luta contra as fugas de informação secreta, o governo de Barack Obama enfrentou muitas críticas em maio, depois da divulgação das atividades sem precedentes de escuta dos registos telefónicos da agência de notícias americana AP.
Um veterano da CIA, John Kiriakou, foi condenado em janeiro a dois anos e meio de prisão por ter revelado o nome de um agente secreto envolvido em interrogatórios sensíveis de supostos membros da Al-Qaeda.
E na segunda-feira passada teve início o julgamento, num tribunal militar, do soldado Bradley Manning, que pode ser condenado à prisão perpétua por ter passado milhares de documentos secretos ao site WikiLeaks.