'News of the World' encerra devido a escândalo de escutas telefónicas

O grupo mediático de Rupert Murdoch conseguiu durante anos espiar ilegalmente a vida de muita gente em Inglaterra. E com ligações próximas ao primeiro-ministro David Cameron, que teve um dos implicados no escândalo como diretor de comunicação do governo.

25 de dezembro 2011 - 19:10
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No dia 8 de Julho, o News of the World, o jornal dominical mais vendido da Grã-Bretanha, anunciou que deixaria de circular devido ao seu envolvimento num escândalo de escutas telefónicas ilegais.

O escândalo começara anos atrás, em 2007, quando um correspondente do News of the World e o investigador Glenn Mulcaire foram detidos por recorrerem a escutas ilegais de telefones de membros da família real.

No início de 2011, a Scotland Yard reabrira as investigações diante de suspeitas de que inúmeras personalidades tinham sido sujeitas a esse mesmo procedimento.

Depois de ter negado qualquer infração, o jornal veio, em abril de 2011, a assumir ter acedido a mensagens de pessoas envolvidas em casos que estaria a seguir. Um dos que foram tornados públicos dizia respeito a uma menina de 12 anos desaparecida em 2002. O jornal teria interferido nas investigações ao manipular as mensagens do telemóvel de Milly Dowler, fazendo a polícia e a sua família crer que a menina ainda estaria viva quando, na realidade, o seu corpo seria encontrado pouco depois.

Segundo o Guardian, teriam sido alvo de escutas ilegais cerca de 3 mil pessoas.

No início do ano, foram presos o editor-assistente do jornal Ian Edmondson e mais dois colegas, e Edmondson foi imediatamente despedido.

Andy Coulson, um dos editores do News of the World que fora obrigado a demitir-se quando surgiu o primeiro escândalo, e posteriormente se tornara porta-voz de David Cameron, foi também preso.

Num primeiro momento, Rebekah Brooks, editora-chefe do jornal em 2002, quando ocorreram as escutas ao telefone de Milly Dowler, não foi afastada do cargo de chefe-executiva da News International por contar com o apoio do magnata Rupert Murdoch, dono do conglomerado de comunicações News Corporation, do qual fazia parte o News of the World.

Mas a 15 de julho, a jornalista não resistiu às pressões e pediu a demissão, depois de uma entrevista do príncipe saudita Alwaleed bin Talal al-Saud, segundo maior acionista da News Corporation, que afirmou que Brooks teria de sair.

Nos dias seguintes, surgiram novas denúncias de que as escutas telefónicas teriam tido como alvos a família real ou o ex-primeiro-ministro Gordon Brown.

O magnata Murdoch fez publicar anúncios em diversos jornais britânicos a pedir desculpa pelas escutas ilegais do News of the World, e Rebekah Brooks foi detida. Um dia depois, o escândalo já fazia baixas também na polícia, com o chefe da Scotland Yard, Sir Paul Stephenson, comissário da Polícia Metropolitana, a demitir-se por ter contratado o ex-executivo do News of the World Neil Wallis como consultor de comunicação entre Outubro de 2009 e Setembro de 2011.

No final de julho, em declarações diante da Comissão de Cultura, Meios de Comunicação e Desporto da Câmara dos Comuns britânica, Rupert Murdoch afirmou não se considerar responsável pelas atividades criminosas investigadas. Quando lhe perguntaram se era responsável, em última instância, por elas, a sua resposta foi simples: “Não”. “Quem são os responsáveis então?”, perguntaram-lhe. “As pessoas nas quais confiei para administrar o jornal e talvez aqueles em que elas confiaram”, disse.

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