Escolas da ONU são alvo para o exército israelita

04 de novembro 2023 - 11:28

Uma escola do campo de refugiados de Jabalia voltou a ser atacada esta manhã. Mesquitas, painéis solares e depósitos de água também foram alvos nas últimas horas, numa altura em que a ONU diz que 95% das pessoas em Gaza têm dificuldades graves de acesso a água potável.

PARTILHAR
Destruição causada pelo ataque da passada quarta-feira neste mesmo campo de refugiados. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.
Destruição causada pelo ataque da passada quarta-feira neste mesmo campo de refugiados. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

Depois do ataque israelita a um comboio de ambulâncias ter morto pelo menos 15 pessoas, a campanha de destruição maciça em Gaza continua com o bombardeamento de escolas, abrigos e zonas hospitalares. Esta manhã, a escola al-Fakhoora da UNRWA, Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, no campo de refugiados de Jabalia, foi atacada, segundo informa a Al Jazeera.

Para já o número de vítimas contabilizado pelo Ministério da Saúde das autoridades de Gaza é de pelo menos 12. Foi atingido um quarto que “apenas tinha crianças e mulheres”, disse uma testemunha no local citada por aquele órgão de comunicação social.

Esta escola está a alojar pessoas que fugiram dos bombardeamentos em Gaza. Com este ataque, é a terceira vez nos últimos dias que o exército israelita atinge este campo de refugiados.

Pouco antes, outra escola que abriga famílias que fugiram dos bombardeamentos de Gaza, em al-Saftawi , tinha sido igualmente atingida. Ainda esta manhã, as forças sionistas bombardearam um bairro densamente povoado no centro de Gaza, desconhecendo-se igualmente ainda o número de vítimas, e destruíram duas mesquitas, Abi Talib e Al-Istijabah, em al-Sabra na zona sul da cidade de Gaza, segundo um correspondente da agência Anadolou.

Os ataques a escola geridas pelas Nações Unidas não são exceção. Na passada quinta-feira, quatro escolas da ONU foram atingidas de acordo com a própria organização, duas nos campos de refugiados da Jabalia e Chati e outras duas em Boureij. Destes bombardeamentos resultaram pelo menos 23 mortes.

Aliás, os ataques a outros edifícios e espaços da UNRWA estão também longe de ser exceção. Esta indica que desde 7 de outubro perto de 50 edifícios e outros bens seus foram atingidos, com vários entre eles a terem sido alvos diretos. Incluem-se aqui os abrigos que estarão a ser usados por perto de 700.000 pessoas. Já para não falar nos 72 trabalhadores da agência internacional mortos desde o início desta fase da guerra.

Outras infraestruturas que estão a ser visadas são os painéis solares, que são a única fonte de eletricidade de Gaza nas últimas semanas. E nem os dos hospitais estão a salvo. Os painéis solares do hospital al-Wafa Hospital foram destruídos pelo exército israelita, causando um incêndio no pátio das instalações e a interrupção da energia. Há também notícia que a entrada do Hospital Infantil al-Nasser, também em Gaza, foi bombardeada com a existência de várias vítimas civis, juntando-se este assim a uma lista que, na sexta-feira, incluiu os hospitais al-Shifa, onde morreram pelo menos 15 pessoas e há dezenas de feridos, al-Quds e Hospital Indonésio.

Para além disso, os tanques de água para abastecimento público também estão a ser destruídos, como tinha sido o caso em Rafah, sul de Gaza. Para além disso, vários barcos de pesca nesta zona foram incendiados.

Fome e sede em Gaza

Esta estratégia de destruição de infraestruturas essenciais para a vida quotidiana é implementada numa altura em que fome e sede aumentam dramaticamente no território. De acordo com a ONU, a escassez de água potável atinge 95% da população. As linhas de água a partir de Israel para Gaza estão todas cortadas e os palestinianos deslocados estão a esperar horas para poder ter acesso a alguma água relata o Guardian. Há 1,4 milhões de pessoas deslocadas a precisar de água mas os camiões que entraram na passada quarta-feira a partir do Egito traziam apenas a água suficiente para 15.000 usarem num dia.

James Elder, da Unicef, dizia há alguns dias que a produção de água está nuns 5% do habitual e que muitas pessoas só estão a ter acesso a água salgada.

Ao mesmo tempo, a fome é igualmente um problema. Thomas White, da UNRWA, diz, citado pela Associated Press, que o habitante médio de Gaza está a viver apenas de dois pedaços de pão por dia. A agência está presentemente a ajudar 89 padarias num cenário de “morte e destruição”.

Cisjordânia também é atingida

Entretanto, a organização não governamental Save The Children, revelou que pelo menos 41 crianças foram mortas na Cisjordânia desde a ofensiva israelita. Jason Lee, o diretor da instituição para os territórios ocupados, emitiu uma declaração na qual destacava que “as crianças nos territórios palestinianos ocupados estão cada vez mais a ser apanhadas numa espiral horrível de violência, enquanto o mundo está a assistir”. E se “até setembro este era já o ano mais letal para as crianças de que se tem conhecimento na Cisjordânia, estamos a aproximar-nos agora do mesmo número em menos de um mês”:

Também a campanha de prisões neste território continua, com a Aljazeera a dar conta de pelo menos 41 detidos em rusgas feitas na última madrugada em Nablus, Tulkarm e Ramallah. Em Hebron, 25 palestinianos foram detidos no campo de refugiados de al-Fawwar no sul da cidade.