Erdogan cede e paralisa projeto de urbanização de parque

14 de junho 2013 - 9:58

Depois de ter ameaçado desocupar o parque Gezi pela força, governo turco recua e diz que nada fará enquanto não houver uma decisão judicial, e ordena uma investigação sobre a violência policial.

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Lembrando os mortos na praça Taksim. Foto de Jenna Capulcu Pope, via Twitter

O Governo turco anunciou nesta sexta-feira que não vai começar a urbanização do parque Gezi de Istambul antes de uma decisão dos tribunais. Além disso, o executivo anunciou a abertura de uma investigação sobre a violência policial durante as duas semanas de manifestações e protestos.

Mesmo que os juízes não bloqueiem o projeto que implica a destruição do parque, o governo tem planos de convocar um referendo, disse Hüseyin Celik, porta-voz do AKP, o partido do governo, depois de uma reunião noturna com representantes dos manifestantes.

Rede convoca assembleia

Num breve comunicado, a rede Solidariedade com Taksim disse que Erdogan ouviu as reivindicações dos manifestantes. A rede anunciou que na tarde desta sexta realiza-se uma assembleia para que os manifestantes decidam se põem fim aos protestos.

"Reagiremos de forma positiva a essa atitude positiva [do governo]", assegurou a rede depois da reunião, que terminou às 3h da madrugada locais.

A assembleia no parque irá também mostrar a dor pelos quatro mortos durante os protestos (três manifestantes e um polícia).

O porta-voz do governo fez um apelo à desmobilização dos protestos na praça Taksim, no centro de Istambul: "Dirijo-me aos jovens que se concentraram pelo meio ambiente. Ide para casa dormir nas vossas confortáveis camas".

Um piano na praça

O anúncio do governo ocorre depois de Erdogan, na quinta-feira, ter voltado a ameaçar dissolver pela força a ocupação da praça Taksim. Apesar da enorme tensão, a noite decorreu tranquila e em ambiente de festa. Centenas de mães formaram uma corrente humana em redor do parque para impedir uma intervenção policial.

Um piano instalado na praça permitiu que se realizasse um concerto até às primeiras horas desta sexta, em que se sucederam até cinquenta pianistas, rodeados de uma multidão que cantava em coro temas populares como “Let it be”, dos Beatles.