A petição integra mais de 2.000 subscritores da iniciativa online e as restantes foram recolhidas em papel nos concelhos da Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra.
Esta petição foi lançada no passado mês de janeiro pelo jornal Trevim que desde a sua fundação, em 1967, se destacou na defesa do Ramal da Lousã como via de comunicação determinante para o desenvolvimento da região, no século XX.
Neste sentido, uma delegação composta, entre outros, pelo diretor do jornal, Pedro Malta e também pelo presidente da cooperativa cultural Trevim, José Oliveira Reis, foi recebida por José Manuel Pureza, deputado do Bloco e vice-presidente da Assembleia da República.
José Orlando Reis disse à agência Lusa que “esta é uma causa muito sentida pela população com ligações à região, não apenas pelos residentes diretamente afetados pela perda de um transporte ferroviário tão importante para a mobilidade de milhares de pessoas”.
Por seu turno, para Pedro Malta a reposição do serviço “tem de merecer a maior prioridade política, por ser um ato de elementar justiça e uma grande necessidade para as populações”.
Durante o período da manhã, o grupo de cidadãos foi igualmente recebido por um assessor do primeiro-ministro, António Costa.
Este documento, intitulado “Pela urgente reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã”, foi também entregue a todos os grupos parlamentares.
Refira-se que a linha que ligava Coimbra a Serpins, na Lousã, passando por Miranda e servindo ainda utentes dos concelhos de Góis e Vila Nova de Poiares, foi desmantelada para obras em finais de 2009, ao abrigo de um projeto que visava a instalação de um sistema de metro na ferrovia e na área urbana de Coimbra.
“Quando pela Europa e em tantos países se promove a ferrovia, não se pode aceitar que aqui se destrua uma linha centenária, afetando gravemente a mobilidade de tantos milhares de pessoas”, lê-se na petição que é dirgida ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, ao primeiro-ministro e aos executivos dos municípios de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, acionistas da Metro Mondego, sociedade de capitais públicos, criada há 20 anos e liderada pelo Estado.
Meio de transporte essencial
Os mais de 8.000 subscritores manifestam “forte desagrado” pela perda de “um meio de transporte tão importante”, alertando para o “escandaloso abandono, há vários anos, de obras que importaram em mais de 100 milhões de euros, realizadas com recurso ao endividamento das empresas públicas Refer e CP”.
Iniciadas em 2009, durante o último governo de José Sócrates, as obras no Ramal da Lousã foram depois suspensas por razões financeiras, tendo os utentes passado a viajar de autocarro, com o Estado a pagar vários milhões de euros por estes transportes alternativos.