Desempenho académico baixo e contexto socioeconómico desfavorecido. Estas são duas dimensões que continuam associadas ao perfil dos alunos do ensino profissional em Portugal. A conclusão é do estudo “Como valorizar o Ensino Secundário Profissional? Dilemas, Desafios e Oportunidades” divulgado esta quarta-feira.
Os alunos do profissional completam o ensino obrigatório com uma média etária mais elevada e classificações mais baixas, nomeadamente em disciplinas como Matemática, Português e língua estrangeira. A diferença com os cursos científico-humanísticos é ainda ilustrada através de números claros: um terço dos alunos deste tipo de ensino são de famílias com o ensino superior, nos cursos profissionais isso acontece apenas em 9% dos casos, sendo as suas profissões mais frequentes nas famílias as relacionadas com trabalhos não qualificados.
A continuação dos alunos para além do ensino obrigatório é também se relaciona com o contexto familiar: alunos de meios mais escolarizados tendem a seguir para o superior. Este estudo foi promovido pela Edulog, uma iniciativa da Fundação Belmiro de Azevedo, foi feito em parceira com a Universidade de Aveiro e realizado por Belém Barbosa, professora da Faculdade de Economia da Universidade e especialista em marketing. E defende que “o contexto socioeconómico é visto como determinante para a escolha do ensino secundário profissional, designadamente porque, para as famílias mais carenciadas, esta tipologia de ensino oferece perspetivas de uma integração mais rápida no mercado de trabalho após a conclusão do nível de ensino obrigatório”.
Defende-se que “a imagem geral do ensino secundário profissional é tendencialmente negativa” mas, por outro lado, indica-se que os professores da área que foram consultados para o estudo destacam uma evolução de competências. “Os estudantes são descritos como mais resilientes, com maior capacidade de resolução de problemas e maior capacidade de trabalho em equipa do que os colegas do ensino regular”, escreve-se.
A investigação também conclui que Portugal está entre os países europeus que menos alunos têm no ensino profissional, cerca de 45%, ocupando o 19º lugar no ranking.
Do retrato deste cursos, resulta ainda que 81,5% dos cursos do ensino secundário profissional formam para o setor dos serviços, 16,6% para o setor industrial e apenas 1,9% para o setor primário. Entre 2018 e 2021, os cursos de Ciências Informáticas, Hotelaria e da Restauração eram perto de um terço do total.