Enfermeiros do privado iniciam greve de dois dias

09 de julho 2024 - 17:00

A paralisação por aumentos salariais, 35 horas semanais para todos e melhores condições de trabalho realiza-se esta terça-feira nos distritos a sul de Santarém e na quarta a norte de Leiria. No primeiro dia houve concentração à porta da sede da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, em Lisboa .

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concentração de enfermeiros
Concentração de enfermeiros à porta da APHP. Foto Filipe Amorim/Lusa

Depois de a greve de 24 de maio ter mostrado a determinação dos enfermeiros do privado na luta por um Contrato Coletivo de Trabalho que lhes garanta “horários regulados, 35 horas semanais, aumento dos salários e dos valores das horas penosas e a compensação pelo trabalho por turnos”, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses convocou nova greve para esta terça e quarta-feira, acompanhadas de concentrações.

Dezenas de enfermeiros dirigiram-se esta manhã à sede da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), com palavras de ordem como “É urgente e necessário o aumento do salário”, “Têm lucros aos milhões para os enfermeiros só tostões” ou “35 horas para todos sem demora”.

“Se não houver negociação, naturalmente que vão prosseguir ações de lutas e ações reivindicativas porque os enfermeiros estão insatisfeitos e a prova disso são os bons níveis de adesão que estamos a ter na greve”, afirmou à agência Lusa o dirigente do SEP Rui Marroni. Ainda sem dados compilados dessa adesão, acrescentou que na CUF Tejo o piso 4 está em greve e que no Hospital Lusíadas Lisboa apenas um enfermeiro não aderiu à paralisação.

Esta adesão justifica-se por existir “muita indignação, muita insatisfação, não só porque a APHP não negoceia como está manter uma situação de horários desregulados, mais longos, penosos e sem compensações monetárias”, prosseguiu o sindicalista, contrastando  os “lucros exponenciais” apresentados pelos hospitais privados com a situação dos 4.300 enfermeiros.

Um dos enfermeiros que se manifestaram à porta da associação dos hospitais privados, Luís Morais, disse à Lusa que são obrigados a cumprir um “ritmo de trabalho elevado”, porque há sempre “o interesse do lucro, que é do que vivem estes grupos privados”. E “quem fica a perder são sempre as pessoas”, pois esse ritmo transforma a enfermagem num “ato basicamente administrativo, em vez de ser a sua própria essência”.

Por seu lado, a APHP disse em comunicado estranhar a convocatória da greve, acusando o SEP de ter interrompido “inesperadamente as negociações”. Depois da paralisação nos distritos de Santarém, Lisboa, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro, a greve prossegue na quarta-feira nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Leiria e Coimbra, com nova concentração, desta vez no Porto, em frente ao hospital CUF Porto.

Federação Europeia de Sindicatos da Função Pública solidária com enfermeiros portugueses do privado

A greve dos enfermeiros do privado em Portugal contou com a solidariedade da Federação Europeia de Sindicatos da Função Pública (EPSU). Numa mensagem assinada pelo secretário-geral Jan Willem Goudriaan, a federação reconhece “a importância e a urgência das vossas reivindicações” e diz que esta luta “não é apenas uma questão nacional, repercute-se por toda a Europa”.

O líder da EPSU recorda ainda que recentemente os enfermeiros suecos “alcançaram um sucesso significativo na redução do horário de trabalho como resultado das suas greves e ações” e diz aos enfermeiros portugueses que “não estão sozinhos” nesta luta.