120 euros é a quantia anual que o Instituto que gere a rede do ensino de português no estrangeiro quer cobrar aos pais das crianças que aprendem a língua materna nos países de acolhimento. Numa família com três filhos, a despesa será de 360 euros.
"O descontentamento é geral entre os encarregados de educação e serão muitos os que se recusarão a pagar, não tanto pelo valor em si, mas porque não é legal e não é justo", disse à Agência Lusa Domingos Pereira, da Comissão de Pais de Zurique. Tudo junto, o que o Governo quer é retirar "cinco milhões de euros ao ano do bolso dos emigrantes", acrescenta Domingos Pereira. Ao todo havia 50 mil alunos de português em 2010, a maioria a frequentar o ensino básico. E calcula-se que mais de metade destas crianças frequentem aulas de português fora do horário escolar.
Ao comentar a introdução desta propina de 120 euros para que os filhos dos emigrantes portugueses possam aceder a um direito que a Constituição lhes garante, o secretário de Estado José Cesário desvalorizou a quantia, dizendo que "é praticamente o preço do livro". Um cálculo desmentido pela secretária-geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas, residente na Alemanha, ao lembrar que "os livros custam cerca de 20 euros".
Os cortes de Paulo Portas no ensino de português no estrangeiro abalaram as comunidades portuguesas na Europa no início do ano, após o anúncio da dispensa de 50 professores na rede de ensino de português. Só em França, esta medida deixou 2600 crianças sem aulas de português, o que motivou um abaixo-assinado entregue ao embaixador Seixas da Costa.
O protesto à porta da embaixada em Paris denunciava em janeiro o "início do fim do ensino de português na Europa". Um argumento que é repetido agora pelo Sindicato de Professores no Estrangeiro: "Os pais estão muito revoltados. Não pagar é um direito que lhes assiste", disse ao jornal Público Carlos Pato, professor que reside no Luxemburgo e representa o SPE.
Emigrantes passam a pagar aulas de português
28 de março 2012 - 11:35
A Constituição diz que uma das competências do Estado é assegurar o ensino da língua portuguesa aos filhos dos emigrantes. Mas para Paulo Portas, que tutela o Instituto Camões, este direito dos emigrantes passa a ter um preço: 120 euros.
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Crianças filhas de emigrantes passam a pagar para aprender língua materna. Foto Paulete Matos