Protesto em Paris contra os cortes no ensino de português

14 de janeiro 2012 - 18:36

"Portas, escuta, a comunidade está em luta!", foi um dos slogans entoados por uma centena de manifestantes junto à embaixada de Portugal, onde entregaram uma petição com 2500 assinaturas. Com o corte de 20 professores, mais de 2600 crianças deixam de ter aulas de português em França e o emigrantes recusam a privatização sugerida pelo Governo.

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A decisão de Paulo Portas vai deixar 2600 filhos de emigrantes portugueses sem ensino da língua dos pais. oto Paulete Matos.

O Instituto Camões anunciou no final de 2011 que iria reduzir, a meio do ano escolar, 49 postos de trabalho de professores de português da rede no estrangeiro, sobretudo em França (20), Suíça (20) e Espanha (9). Só em França, o Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro diz que o corte afetará mais de 2600 crianças. O embaixador em Paris calcula que esse número esteja entre os 1700 e os 1800, de acordo com a agência Lusa.



O fim do ensino do português para tantas crianças motivou este sábado o segundo protesto em menos de um mês, em frente à embaixada portuguesa em Paris, onde um porta-voz do Coletivo manifestou a intenção de apresentar as 2500 assinaturas ao embaixador Francisco Seixas da Costa "e pedir-lhe que transmita as nossas preocupações e indignação e que lhe transmita que lamentamos não ter recebido uma resposta".



À saída do encontro, Raul Lopes disse à Antena 1 que o embaixador manifestou compreensão pelas preocupações dos manifestantes e que em tempo útil informou o Governo português das consequências destas medidas. "Ele transmitiu-nos uma mensagem do secretário de Estado José Cesário, que já conhecíamos: a de que está aberto à cooperação com o movimento associativo para ajudar a resolver o problema. Ou seja, querem privatizar, mas nós somos contra a privatização, queremos um ensino público, de qualidade e de continuidade também nas comunidades".



"Esta é uma forma de reclamarmos ao ministro dos Negócios Estrangeiros que olhe para nós com outros olhos, porque não somos cidadãos de segunda", acrescentou Raul Lopes, para quem esta ação serviu também para defender "o imperativo constitucional que diz que compete ao Estado português assegurar o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura por parte dos filhos dos emigrantes".

 

Para os promotores do protesto em frente à embaixada, a decisão do Governo significa o início do fim do ensino do português em França e na Europa. "Estamos aqui para defender a língua portuguesa e continuação do ensino do português em França. Queremos guardar as nossas raízes", afirmou Joana Cunha, uma estudante de 16 anos que teve aulas de português durante 9 anos.